A Alphabet, controladora do Google, agitou o mercado ao anunciar planos ambiciosos para a inteligência artificial (IA). A empresa projeta quase dobrar seus gastos com IA até 2026, com investimentos que superam em muito as expectativas dos analistas. Essa jogada acontece mesmo com a companhia apresentando resultados financeiros robustos no quarto trimestre do ano passado.
Grandes planos para a Inteligência Artificial
A gigante da tecnologia espera gastar entre US$ 175 bilhões (equivalente a cerca de R$ 916,18 bilhões) e US$ 185 bilhões (aproximadamente R$ 968,53 bilhões) em 2026. Este valor é quase o dobro do que foi investido em 2025 e bem acima dos US$ 115,26 bilhões (cerca de R$ 603,37 bilhões) que o mercado esperava. Essa aposta bilionária da Alphabet mostra a força da disputa entre as grandes empresas de tecnologia, todas correndo para expandir suas infraestruturas e produtos baseados em IA. Curiosamente, apesar do desempenho operacional positivo, os investidores reagiram com certa cautela ao tamanho do plano de investimentos.
Balanço financeiro supera projeções
No quarto trimestre, a Alphabet mostrou um lucro por ação de US$ 2,82 (cerca de R$ 14,76), acima dos US$ 2,63 (R$ 13,76) esperados. A receita total impressionou, chegando a US$ 113,83 bilhões (aproximadamente R$ 596 bilhões), superando a projeção de US$ 111,43 bilhões (R$ 583,37 bilhões). A receita da empresa cresceu quase 18% em um ano, e o lucro líquido disparou em cerca de 30%, alcançando US$ 34,46 bilhões (R$ 180,41 bilhões). O setor de publicidade, como sempre um motor, contribuiu com US$ 82,28 bilhões (R$ 430,76 bilhões), um aumento de 13,5% em comparação com o ano anterior.
Olhando para as diferentes áreas, o Google Cloud brilhou, faturando US$ 17,66 bilhões (R$ 92,45 bilhões) no trimestre. Esse número representa um crescimento impressionante de quase 48% e superou as expectativas dos analistas. No entanto, a receita com anúncios do YouTube, apesar de ter subido quase 9%, chegando a US$ 11,38 bilhões (R$ 59,58 bilhões), ficou um pouco abaixo da estimativa. Os custos de aquisição de tráfego também foram um pouco maiores do que o previsto, somando US$ 16,59 bilhões (R$ 61,99 bilhões).
O motor da Inteligência Artificial: Google Cloud e Gemini
O investimento pesado em infraestrutura de IA está focado principalmente no Google Cloud. Assim como outras gigantes do setor de nuvem, como Amazon Web Services e Microsoft Azure, a divisão de nuvem do Google enfrenta desafios de capacidade para atender à demanda crescente por soluções de inteligência artificial. O CEO da Alphabet e do Google, Sundar Pichai, trouxe boas notícias sobre o aplicativo Gemini, a IA da empresa.
Ele afirmou que o Gemini já ultrapassou 750 milhões de usuários ativos mensais, um salto em relação aos 650 milhões do trimestre anterior. Pichai também destacou os esforços para otimizar a operação:
"Conseguimos reduzir em 78% os custos unitários de operação do Gemini ao longo de 2025. Isso é resultado de otimizações em nossos modelos, melhorias de eficiência e maior utilização da infraestrutura que já temos."
Outras apostas e os desafios da inovação
Além da IA, o balanço também mostrou números do segmento "Other Bets", que inclui projetos futuros como a empresa de ciências da vida Verily e a divisão de carros autônomos Waymo. Essa área registrou uma receita de US$ 370 milhões no trimestre, uma queda de 7,5% em relação ao ano anterior, e um prejuízo que ultrapassou US$ 3,61 bilhões, um aumento de mais de 200%.
A Waymo foi responsável por uma parte significativa desse resultado negativo, após registrar um encargo de US$ 2,1 bilhões em compensação baseada em ações. Esse valor está ligado a uma nova rodada de financiamento que avaliou a empresa em US$ 16 bilhões. A diretora financeira da Alphabet, Anat Ashkenazi, explicou que a maior parte desse valor foi contabilizada como despesa em pesquisa e desenvolvimento, mostrando o alto custo de inovar em áreas de ponta.







