Uma nova pesquisa revela que a violência digital afeta 1 em cada 10 brasileiras. De acordo com a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Datasenado em colaboração com a Nexus, quase 9 milhões de mulheres no Brasil experimentaram algum tipo de ataque online ao longo do último ano.
O estudo, que abrange mais de 21 mil entrevistas em todo o território nacional, faz uma análise aprofundada das agressões de gênero no meio digital, enfatizando que essas formas de violência tornaram-se comuns no cotidiano de muitas vítimas. Especialistas destacam a urgência em abordar a naturalização desse tipo de crime, algo que pode ser evidenciado nas declarações de Maria Teresa Prado, coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal:
“Os números levaram a gente a pensar o quanto essa violência digital está naturalizada. (…) Ela tem que denunciar essa violência. Nós temos leis para coibir a violência digital.”
A pesquisa identifica diferentes modalidades de agressão, incluindo ameaças, invasão de contas e disseminação de notícias falsas nas redes sociais. Os pesquisadores sublinham que as vítimas frequentemente demoram a compreender a gravidade da situação e a procurar ajuda, o que aponta para a necessidade de uma atuação mais eficaz das plataformas digitais e uma educação voltada ao respeito desde a infância.
Entre os relatos colhidos, destaca-se a história de uma jovem de 22 anos que, após defender a memória da vereadora Marielle Franco em uma publicação, passou a receber ameaças constantes. Ela descreve a experiência como extremamente limitante, afetando sua liberdade e segurança.
Os especialistas orientam que todo tipo de violência no ambiente digital deve ser denunciado. As vítimas têm à disposição a possibilidade de registrar ocorrências em qualquer delegacia da Polícia Civil ou em unidades especializadas, além de canais como a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, que mantém sigilo e recebe cerca de 2.500 denúncias diariamente.







