Servidores públicos da Bahia e seus dependentes, usuários do Planserv, estão vivendo dias de apreensão. Isso porque, apesar de terem o plano de saúde, muitos relatam dificuldades sérias para conseguir atendimento, especialmente em casos de emergência. As denúncias recentes apontam que, mesmo em hospitais que constam na lista de credenciados, pacientes têm tido o serviço negado na capital baiana.
Na última terça-feira, um beneficiário do Planserv contou à imprensa que foi recusado em dois importantes hospitais de Salvador, na Bahia: o Hospital Santa Izabel e o Hospital Português. Segundo o relato, os hospitais simplesmente não atendiam quem chegava dizendo ser Planserv, sem dar explicações ou um motivo oficial. O problema não é isolado; desde o mês passado, outros servidores vêm compartilhando experiências parecidas.
O Que Dizem Planserv e Hospitais?
Em meio a essas queixas, o Planserv, sistema de assistência à saúde dos servidores estaduais, se manifestou. Em um comunicado em seu site, o plano justificou que o período de fim de ano é marcado por um "aumento na busca por pronto-atendimentos em função das síndromes gripais". A nota informa que os hospitais de maior complexidade estão atendendo casos mais graves "conforme capacidade operacional", e que o Planserv não controla o tempo de espera de cada unidade.
No entanto, a versão dos usuários é diferente. Procurado pela reportagem, o Planserv negou qualquer interrupção de serviço ou descredenciamento de hospitais. A explicação oficial é que as unidades podem estar superlotadas, resultando em tempos de espera maiores. Para reforçar seu argumento, o plano informou que, atualmente, tem 106 beneficiários internados no Hospital Santa Izabel e 169 no Hospital Português, sugerindo que o atendimento não parou.
Os hospitais citados também se pronunciaram. O Hospital Português assegurou que continua funcionando normalmente e prioriza pacientes em condições agudas, incluindo os do Planserv. A unidade revelou que 76% de suas internações de emergência vêm de beneficiários do plano. Já o Hospital Santa Izabel afirmou que "segue atendendo beneficiários do Planserv de acordo com sua capacidade instalada".
“O Planserv informa que mantém atendimento regular nas unidades credenciadas e que não houve descredenciamento de hospitais da rede. Devido à alta procura por atendimentos de emergência, algumas unidades podem apresentar superlotação e períodos de espera maiores, conforme a capacidade operacional de cada hospital. Atualmente, o Planserv possui 106 beneficiários internados no Hospital Santa Izabel e 169 no Hospital Português, o que reforça que não há qualquer interrupção de atendimento aos beneficiários nessas unidades credenciadas”, disse o Planserv em nota.
Um Histórico de Desafios
A verdade é que as dificuldades do Planserv não são de hoje. Há um histórico de reclamações sobre a cobertura e a qualidade dos serviços. Relatos anteriores apontam para problemas desde a época em que o plano passou a ser administrado pela HapVida, com uma redução na aceitação de atendimentos de emergência.
Em setembro deste ano, por exemplo, o cenário já era de alerta. Com uma arrecadação em baixa e uma base de usuários com cerca de 30% acima de 59 anos, a gestão estaria buscando reduzir o acesso a consultas e exames. As clínicas parceiras, por sua vez, reclamam de atrasos nos pagamentos e valores abaixo do que o SUS (Sistema Único de Saúde) oferece, o que pode levar à descontinuidade dos serviços.
Outra polêmica recente aconteceu em outubro, quando o Planserv proibiu laboratórios e clínicas credenciadas de fazer exames ou coletas fora de suas unidades físicas. A medida gerou insatisfação e, após retificação, o plano esclareceu que a proibição era para "eventos públicos ou ações de saúde publicizadas sem o prévio conhecimento e autorização formalizada", mas não para atendimentos regulares.
Reforma à Vista para o Planserv?
Diante desse cenário complexo, uma notícia importante surgiu nesta terça-feira. A Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) aprovou um projeto de lei que propõe uma reformulação no Sistema de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos Estaduais. As mudanças incluem novos valores de contribuição:
- O titular passará a contribuir com 5,5% da remuneração, com um valor mínimo de R$ 120. A partir de 1º de janeiro de 2027, esse percentual sobe para 6%.
- Cônjuges ou companheiros pagarão 50% da contribuição do titular, também com mínimo de R$ 120.
- Outros dependentes terão uma contribuição de 22% do valor do titular, igualmente com um piso de R$ 120.
O governador Jerônimo Rodrigues, proponente do projeto, afirmou que a ideia nasceu de um diálogo com sindicatos e entidades representativas, visando modernizar o funcionalismo público. O governo estima que cerca de 130 mil servidores terão uma redução no valor pago pelo plano com as novas regras. Resta saber se, além da reestruturação financeira, o plano conseguirá resolver os gargalos no atendimento que tanto afligem seus usuários.







