Quando as unhas ficam fracas e o cabelo cai mais que o costume, a primeira suspeita quase sempre recai sobre a falta de colágeno. Especialistas alertam, porém, que essa é apenas uma parte da história: os mesmos sinais podem estar ligados a baixos níveis de ferro no organismo ou a um desequilíbrio na tireoide.
O ferro tem papel direto na formação da hemoglobina, proteína que leva oxigênio para todos os tecidos do corpo, incluindo os folículos capilares e a base das unhas. Quando os estoques do mineral caem, o organismo prioriza órgãos vitais e reduz o fornecimento para áreas consideradas secundárias — o que explica por que unhas e cabelos costumam ser os primeiros a mostrar sinais de alerta.
Além da queda de cabelo e da fragilidade das unhas, a deficiência de ferro pode vir acompanhada de cansaço excessivo. O diagnóstico só é confirmado por exames de sangue, que avaliam ferritina, ferro sérico e hemoglobina — a ferritina normal isolada nem sempre descarta o problema, já que quadros inflamatórios podem mascarar o resultado.
A tireoide é outro ponto que merece atenção quando o assunto é queda de cabelo e unhas fracas. A glândula regula o metabolismo do corpo por meio dos hormônios T3 e T4, que também influenciam diretamente o ciclo de crescimento dos fios e das unhas. Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo podem desencadear esses sintomas, ainda que de formas diferentes.
Uma revisão sistemática publicada na revista científica Cureus, que analisou estudos feitos entre 2010 e 2022, encontrou queda de cabelo em cerca de metade dos casos de hipertireoidismo e em um terço dos casos de hipotireoidismo. Segundo o mesmo levantamento, a fragilidade das unhas aparece em aproximadamente 70% dos pacientes com hipotireoidismo, e a queda capilar pode surgir meses antes de outros sintomas da disfunção da tireoide se manifestarem.
Quando o problema é na tireoide, os sinais raramente vêm isolados. Cansaço que não melhora com o sono costuma acompanhar o quadro. O diagnóstico é feito por exame de sangue que mede o hormônio TSH, considerado um caminho seguro e acessível para confirmar a alteração.
Diante da persistência desses sinais, a recomendação de especialistas é procurar avaliação médica em vez de recorrer apenas a suplementos de colágeno por conta própria. Somente exames laboratoriais podem indicar se a causa é falta de ferro, desequilíbrio hormonal ou outro fator, direcionando o tratamento correto.







