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Saúde

Smartwatches do ICE complicam partos de grávidas imigrantes nos EUA

Smartwatches usados pelo serviço de imigração dos EUA (ICE) em grávidas imigrantes estão causando medo e atrasos perigosos em hospitais durante o parto, relatam profissionais da saúde.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
12 de dezembro, 2025 · 10:20 3 min de leitura
(Imagem: Prostock-Studio/iStock)
(Imagem: Prostock-Studio/iStock)

Em hospitais dos Estados Unidos, o uso de smartwatches para monitorar imigrantes grávidas pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) está causando medo, atrasos preocupantes e muita confusão, especialmente em emergências médicas, como o trabalho de parto. Profissionais da saúde relatam que essas mulheres, já em uma situação de vulnerabilidade, sentem uma pressão enorme pelo risco de violar as regras de monitoramento enquanto tentam dar à luz, conforme matéria publicada pelo The Guardian.

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Os dispositivos, como o VeriWatch da BI Inc., fazem parte do programa Alternativa à Detenção (ATD), que já monitorou quase 370 mil pessoas e hoje acompanha cerca de 180 mil. Mesmo sendo menos visível que uma tornozeleira eletrônica, o relógio inteligente está gerando uma série de problemas, colocando a saúde de mães e bebês em risco.

Medo e pânico na sala de parto

Funcionários de um hospital no Colorado, nos EUA, contaram um episódio dramático: uma paciente, à beira de uma cesariana de emergência, entrou em pânico ao saber que o relógio precisava ser retirado. Ela tinha muito medo de que o ICE interpretasse a remoção como uma tentativa de fuga, o que poderia levar à sua detenção e, pior, à separação do seu bebê.

Ela estava em prantos. Tinha um medo profundo de que o ICE viesse ao hospital e levasse seu bebê.

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O grande problema é que esses smartwatches só podem ser retirados por agentes do ICE ou da empresa BI, que fabrica o aparelho. Essa burocracia gera atrasos críticos em momentos de emergência, onde cada minuto faz diferença.

Como funciona o monitoramento e por que ele assusta

O programa ATD exige uma supervisão rigorosa. Além do smartwatch obrigatório, que a pessoa não pode remover, há verificações de reconhecimento facial por aplicativo e a necessidade de comparecer presencialmente para checagens. As tornozeleiras eletrônicas, usadas no mesmo programa, também não podem ser retiradas em emergências sem autorização, criando o mesmo tipo de problema.

As pacientes vivem com o medo constante de serem detidas por qualquer falha técnica, como uma bateria fraca. Uma gestante de nove meses teve seu relógio apitando sem parar durante o parto, mostrando como esses dispositivos podem se tornar uma fonte de estresse imensa em momentos tão delicados. Um profissional do hospital alertou que atrasos podem causar complicações muito sérias.

Às vezes, no parto, realizar uma cesariana 20 minutos antes de algo ruim acontecer pode evitar complicações.

Consequências para a saúde dos imigrantes

O clima de medo não afeta apenas as grávidas. Há relatos de queda nas consultas médicas regulares, atendimentos tardios e piora nos resultados de saúde entre imigrantes monitorados em vários estados. Em Chicago, por exemplo, centros voluntários registraram uma redução de 30% no número de pacientes que compareciam às consultas e que iam retirar seus medicamentos.

Um caso de 2025, relatado na matéria, ilustra o problema: um homem que tinha recomendação médica para remover sua tornozeleira acabou detido depois de pedir orientações ao ICE. A vigilância intensa, que se estende até para grávidas em trabalho de parto, tem um impacto direto e negativo na saúde e bem-estar dessas comunidades. Segundo o The Guardian, tanto o ICE quanto a BI não responderam aos questionamentos sobre os casos.

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