Última hora
PMPA - 5736
Saúde

Pesquisadores do Brasil criam método que prevê deslizamentos com mais precisão

Cientistas da USP e Inpe desenvolveram o AHP Gaussiano, uma ferramenta estatística que identifica áreas de risco de deslizamento de terra com mais exatidão, ajudando municípios a prevenir desastres.

Redação ChicoSabeTudo
12 de dezembro, 2025 · 07:51 3 min de leitura
Imagem: seaonweb/Shutterstock
Imagem: seaonweb/Shutterstock

Pesquisadores brasileiros do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) desenvolveram uma ferramenta inovadora capaz de identificar áreas de risco de deslizamentos de terra com uma precisão muito maior. O novo método, chamado AHP Gaussiano, foi testado com sucesso em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, e promete ser um aliado importante para a prevenção de desastres naturais.

Publicidade

A ideia principal por trás dessa criação é diminuir as dúvidas e fazer com que a análise de risco se aproxime mais da realidade dos deslizamentos. Com o avanço das mudanças climáticas, que aumentam a frequência de eventos extremos, ter ferramentas eficazes como essa se torna cada vez mais urgente para a segurança das comunidades.

Como o novo método funciona na prática?

Tradicionalmente, a identificação de áreas de risco depende bastante da opinião de especialistas, que avaliam fatores como inclinação do terreno, proximidade de rios e tipo de solo. O problema é que essa avaliação pode ter diferentes interpretações.

O método AHP Gaussiano muda o jogo. Ele usa uma técnica estatística avançada, a curva de Gauss, para calcular o peso de cada fator de forma totalmente objetiva. Em vez de depender apenas do olhar humano, a ferramenta utiliza dados reais do terreno. Rômulo Marques-Carvalho, doutorando do ICMC-USP e um dos principais autores do estudo, explica a importância:

Publicidade

“Mesmo que o ganho numérico seja pequeno, o método reduz dúvidas e se aproxima mais do que acontece de verdade com os deslizamentos.”

Para criar mapas de risco mais confiáveis, o AHP Gaussiano considera uma série de informações cruciais sobre a região:

  • A elevação e inclinação das encostas;
  • A distância de rios e estradas;
  • O tipo de solo e como o terreno está coberto (vegetação, construções);
  • Os padrões de ocupação urbana e as construções existentes.

A pesquisa, que foi publicada na revista Scientific Reports, mostra que, com ferramentas estatísticas acessíveis, os municípios podem identificar suas áreas de risco e agir de forma preventiva, mesmo que não tenham muitos recursos. Isso porque a metodologia é relativamente simples de usar.

Resultados concretos em São Sebastião

Para comprovar a eficiência do AHP Gaussiano, os pesquisadores fizeram um estudo detalhado em São Sebastião, usando imagens aéreas de alta resolução e fotos de plataformas como o Google Earth. Eles catalogaram mais de 983 pontos onde os deslizamentos começaram (chamados de “coroas”) e mais de 1.070 áreas afetadas (as “cicatrizes”).

O resultado foi claro: o novo método classificou 26,31% da área estudada como de “risco muito alto”, enquanto o método tradicional apontou 23,52%. Essa diferença, mesmo que pareça pequena, representa uma capacidade muito maior de identificar as regiões mais perigosas, permitindo que as prefeituras tomem decisões mais assertivas.

Impacto além dos deslizamentos e a acessibilidade da ferramenta

A aplicação dessa tecnologia vai além da prevenção de deslizamentos. Ela pode ser usada para ajudar a prever e combater outros problemas ambientais graves, como incêndios florestais, desmatamento, rebaixamento do solo e até a desertificação.

André Ferreira de Carvalho, orientador de Marques-Carvalho no estudo, destaca que a frequência crescente de desastres naturais por conta das mudanças climáticas torna ferramentas como o AHP Gaussiano ainda mais valiosas. E o melhor é que, segundo Marques-Carvalho, o método é bastante prático para as prefeituras:

“O método é simples de usar. Uma prefeitura precisa apenas de dados geoespaciais básicos e um computador comum com QGIS, um software livre de análise de mapas.”

Isso significa que, com um investimento mínimo, muitas cidades brasileiras podem se beneficiar dessa inovação, protegendo vidas e o meio ambiente com mais inteligência e precisão.

Leia também