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Saúde

Salvador lidera avanços em IA e novas terapias contra doenças graves

Pesquisadores da UFBA falam sobre uso de inteligência artificial, tratamento de HIV, HTLV e Alzheimer

Redação ChicoSabeTudo
28 de setembro, 2026 · 07:26 3 min de leitura

A medicina passa por um momento de grandes mudanças, puxado por tecnologias como inteligência artificial, edição genética e imunoterapia. Pesquisadores de Salvador ligados à Universidade Federal da Bahia (UFBA) falam sobre esses avanços e também sobre os limites que ainda existem no acesso a esses tratamentos.

Gabriel Schnitman, chefe da Unidade de Gestão de Pós-Graduação do Hospital Professor Edgard Santos (Hupes) e professor da UFBA, afirma que a área médica vive uma "virada de chave" (F1.f, F1.c1). Segundo ele, a inteligência artificial tem potencial para transformar a forma como surgem inovações na medicina (F1.g, F1.c2).

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De acordo com Schnitman, a tecnologia pode ajudar a identificar alvos para novos medicamentos, prever comportamento de proteínas e escolher mutações de tumores para produzir vacinas personalizadas (F1.h). Pesquisas conduzidas na Bahia mostram que os modelos atuais de IA conseguem raciocinar sobre casos clínicos, mas ainda cometem erros e produzem vieses (F1.j, F1.c4).

Um dos motivos, explica o pesquisador, é que os dados usados para treinar essas ferramentas vêm majoritariamente de populações de países ricos. Isso pode fazer com que os resultados não sirvam tão bem para pacientes do interior da Bahia (F1.k, F1.c5). Schnitman também aponta riscos ligados à privacidade de dados de saúde e à possibilidade de futuros médicos perderem a capacidade de pensamento crítico por dependerem demais da máquina (F1.l, F1.c6). Para ele, é preciso haver políticas públicas que garantam que essas tecnologias cheguem ao Sistema Único de Saúde (SUS) (F1.m, F1.c7).

Sobre o combate ao HIV, o professor titular de Infectologia da Faculdade de Medicina da UFBA, Carlos Brites, afirma que houve grande avanço em medicamentos, mas ainda não existe vacina de prevenção contra a doença (F1.p, F1.c10). Segundo ele, já há tratamentos novos, eficazes e seguros, além de remédios para prevenir a transmissão. Versões injetáveis do tratamento ainda não estão disponíveis para a população em geral, por causa do alto custo ou da dificuldade de licenciamento (F1.q, F1.c11).

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Brites também comenta uma pesquisa em andamento na UFBA que investiga se antirretrovirais usados contra o HIV, como o dolutegravir, podem ser eficazes no tratamento do HTLV (F1.r). A infecção pelo HTLV pode causar doenças crônicas incapacitantes, como a paraparesia espástica, além de doenças graves, como a leucemia de células T (F1.s). Segundo o infectologista, o estudo pode representar uma nova fase no enfrentamento de uma doença que atinge entre oito e 20 milhões de pessoas no mundo (F1.u, F1.c12).

Já a médica neurologista Roberta Kauark falou sobre os avanços no diagnóstico e tratamento do Alzheimer. Segundo ela, hoje existem biomarcadores que permitem identificar a doença em fases mais precoces, antes mesmo do surgimento de sintomas, o que ajuda a entender melhor a progressão do quadro (F1.v, F1.c14). Kauark afirma que medicamentos mais recentes, chamados antiamiloides, têm conseguido frear a evolução da doença em cerca de 37% (F1.z, F1.c15), mas destaca que ainda é preciso mais tempo de estudo, já que esses remédios têm no máximo cinco anos de uso registrado (F1.c15).

De acordo com o Relatório Nacional sobre a Demência, divulgado em 2024, cerca de 8,5% da população brasileira com 60 anos ou mais convive com Alzheimer — o equivalente a 1,8 milhão de pessoas (F1.aa). A projeção é que esse número chegue a 5,7 milhões de diagnósticos no Brasil até 2050 (F1.ab).

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