Salvador reforça o combate à violência contra a mulher com a instalação de um Banco Vermelho na Praça Thomé de Souza, no Centro Histórico. Este símbolo, inaugurado nesta segunda-feira (22), funciona como um convite à reflexão e mobilização social contra o feminicídio e outras formas de violência de gênero, chamando a atenção para a urgência do tema e para a importância da proteção.
O banco, pintado de vermelho vibrante, carrega mensagens poderosas. No centro, a frase “Você Não Está Sozinha” é acompanhada por um QR Code, que direciona para um site que integra a rede de proteção à mulher. Na lateral, dados importantes sobre o feminicídio e o número 180, para denúncias de casos de violência, reforçam a seriedade da iniciativa. A cor vermelha não foi escolhida por acaso; ela simboliza o sangue derramado por essas mulheres e a necessidade de quebrar o silêncio diante desses crimes, reforçando que o enfrentamento à violência de gênero é uma responsabilidade coletiva.
Essa ação inovadora é um esforço conjunto da Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), com o apoio da Diretoria de Serviços de Iluminação Pública (Dsip), e em parceria com a Uninassau Salvador e o Instituto Banco Vermelho (IBV). A instalação do mobiliário está prevista na Lei nº 14.942/2024, que visa promover o projeto, ações de conscientização em lugares públicos e premiar iniciativas no âmbito do Agosto Lilás.
“Nós precisamos falar sobre isso. Trata-se de um ponto onde as pessoas vão ter mensagens e informação do Disque 180, vão poder fotografar, marcar a Prefeitura e verificar onde pode pedir ajuda, tendo a consciência de que esse movimento é de homens e mulheres”, afirmou Fernanda Lordêlo, secretária municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude.
A secretária explicou que o banco, provisoriamente na Praça Thomé de Souza até o próximo dia 6 de janeiro, será realocado para outros pontos estratégicos da cidade ao longo do ano. “É uma ação simbólica, mas de enorme importância. A iniciativa convida a sociedade a se posicionar contra a violência de gênero, especialmente o feminicídio. É um lembrete diário de que precisamos agir para proteger e garantir os direitos das mulheres”, acrescentou Lordêlo.
O projeto Banco Vermelho tem raízes internacionais, nascido na Itália quando duas mulheres perderam uma amiga para o feminicídio, e já se espalhou por mais de 16 estados brasileiros, com mais de 200 instalações. Andrea Rodrigues, presidente do Instituto Banco Vermelho (IBV), enfatiza que a iniciativa é um chamado permanente à ação.
“Estamos onde for possível prevenir, proteger, informar e transformar a realidade da violência de gênero. Cada banco instalado representa um posicionamento claro: nenhuma mulher deve ser silenciada”, disse Andrea.
A desembargadora Nágila Brito, presidente do Colégio de Coordenadores da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), celebrou a iniciativa, que chamou de um “sonho antigo” da rede de proteção. “Que venham outros, porque é um símbolo internacional contra o feminicídio e contra a violência contra a mulher. Ele está em um local superestratégico, junto ao Elevador Lacerda. É um recado que a cidade mostra para os turistas”, reiterou a desembargadora. Cecília Queiroz, reitora da Uninassau Salvador, explicou que a universidade integra essa pauta no projeto Ser Mulher, utilizando até mesmo cadeiras vazias e vermelhas em suas salas de aula para simbolizar as vítimas.
Ângelo Magalhães, titular da Dsip, reforçou o apoio do órgão a pautas sociais. “Usamos a luz para chamar a atenção das pessoas nos nossos monumentos. Hoje, estamos vivenciando essa inauguração desse símbolo de enfrentamento da violência contra as mulheres. Utilizamos o Natal para chamar a atenção sobre essa importantíssima pauta”, disse.
A iniciativa já colhe elogios. Ana Carolina Alves, médica e turista do Recife, em Pernambuco, de 43 anos, destacou a relevância.
“É uma ação fundamental da Prefeitura, porque mostra que o combate à violência contra a mulher precisa ser contínuo e envolver toda a sociedade. Ações como essa ajudam a informar, acolher e salvar vidas”, elogiou.
Prefeitura de Salvador reforça rede de proteção à mulher
A instalação do Banco Vermelho se soma a uma série de outras iniciativas da Prefeitura de Salvador para combater a violência e empoderar as mulheres. Por meio do programa permanente Alerta Salvador, a SPMJ atua com diversas ações voltadas para o público feminino, visando o fortalecimento da autonomia financeira das mulheres e o combate à violência de gênero.
Um dos pilares dessa rede é a Casa da Mulher Brasileira, que este mês completou dois anos de funcionamento e já realizou cerca de 29 mil atendimentos, dispondo de uma rede integrada de combate à violência contra as mulheres.
O município também oferece atendimento referenciado e especializado em três diferentes unidades de Salvador: o Centro de Referência de Atenção à Mulher em Situação de Violência Loreta Valadares (Cram), que funciona dentro da Casa da Mulher Brasileira, no Caminho das Árvores; o Centro de Atendimento à Mulher Soteropolitana Irmã Dulce (Camsid), na Ribeira; e o Centro de Referência Especializado de Atendimento à Mulher Arlette Magalhães (Cream), em Fazenda Grande II.
Além disso, em parceria com o Tribunal de Justiça da Bahia e a Guarda Civil Municipal de Salvador, a SPMJ coordena o Núcleo de Enfrentamento e Prevenção ao Feminicídio (NEF). Esse núcleo atende homens em cumprimento de Medida Protetiva de Urgência, buscando conscientizá-los e sensibilizá-los para reduzir o número de feminicídios e evitar novas agressões.
Complementando o combate à violência, a prefeitura investe na independência financeira feminina, com programas como Marias na Construção e Mulheres no Volante, capacitações e qualificações profissionais, a Plataforma Digital Compre Delas e o evento Expo Mulher, promovendo o empreendedorismo e a qualificação.







