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Saúde

Número de pacientes que perderam a visão após cirurgia de catarata em Salvador sobe para 13

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
29 de março, 2026 · 11:06 2 min de leitura
Fotos: Reprodução/TV Bahia
Fotos: Reprodução/TV Bahia

Subiu para 13 o número de pacientes que perderam a visão de um dos olhos após cirurgias de catarata realizadas na clínica Clivan, em Salvador. A atualização foi divulgada pela Secretaria Municipal da Saúde no sábado, 28 de março, um mês depois dos procedimentos feitos em 26 de fevereiro.

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Segundo a pasta, todos os 13 pacientes precisaram passar por evisceração ocular, procedimento em que a parte interna do globo ocular é removida. As cirurgias que originaram as complicações envolveram 26 pessoas atendidas na mesma sala, e nenhuma delas recebeu alta até agora. O acompanhamento vem sendo feito no Hospital Geral do Estado e no Hospital Santa Luzia.


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A crise começou a ganhar dimensão pública no início de março, quando pacientes passaram a relatar perda de visão, sangramento, dores intensas e infecções no pós-operatório. A clínica foi interditada pela Vigilância Sanitária, teve o alvará suspenso e também perdeu o vínculo contratual com a Prefeitura de Salvador.


Em balanço anterior, divulgado em 10 de março, a secretaria havia confirmado 11 casos de perda da visão. Na mesma atualização, o órgão informou que o mutirão realizado em 26 de fevereiro não tinha autorização prévia do gestor do SUS, o que, segundo a prefeitura, configurou uma irregularidade grave na execução dos procedimentos.


Além do atendimento hospitalar, a rede pública já prevê a próxima fase do suporte às vítimas. Os pacientes devem ser encaminhados para reabilitação no Instituto de Cegos da Bahia, com acompanhamento multiprofissional e apoio psicológico, diante do impacto funcional e emocional provocado pelas sequelas.


O caso também avança em diferentes frentes de investigação. A Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso apura as ocorrências e aguarda laudos periciais para esclarecer se houve falha técnica, problema de biossegurança ou contaminação de materiais utilizados nos procedimentos. Paralelamente, o Conselho Regional de Medicina da Bahia abriu sindicância para examinar a atuação dos profissionais envolvidos.


Na esfera cível, o Ministério Público da Bahia instaurou um inquérito para acompanhar o caso e verificar as responsabilidades relacionadas ao atendimento prestado pela clínica. A medida amplia a pressão institucional sobre o episódio, que já mobiliza autoridades sanitárias, órgãos de fiscalização e familiares das vítimas.


Em nota divulgada após a repercussão inicial, a Clivan afirmou que seguiu os protocolos clínicos, técnicos e de biossegurança e classificou o episódio como pontual. Já o oftalmologista citado nas reportagens disse aguardar o resultado das investigações sanitárias e levantou a possibilidade de contaminação em insumo ou instrumento cirúrgico, hipótese que ainda depende de confirmação oficial.


Há ainda relatos publicados pela imprensa sobre uma denúncia anterior, de 2025, envolvendo complicações em cirurgia de catarata realizada na mesma unidade. Essa informação apareceu em reportagem do Aratu On, mas segue tratada como relato sob apuração, sem conclusão oficial divulgada até o momento.


A clínica segue interditada, o contrato com a Prefeitura de Salvador continua suspenso, os pacientes permanecem sem previsão de alta e as investigações da Polícia Civil, do Cremeb e do Ministério Público ainda aguardam novos resultados e laudos sobre o caso.

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