Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Saúde

Mundo Entra em Nova Era de Calor Extremo, com 2025 Perto do Pódio dos Anos Mais Quentes

O programa europeu Copernicus prevê que 2025 será um dos anos mais quentes da história, mantendo uma sequência inédita de recordes. A média de 2023-2025 deve superar 1,5°C.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
09 de dezembro, 2025 · 12:17 3 min de leitura
(Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digital)
(Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digital)

O ano de 2025 está a caminho de se consolidar como um dos mais quentes já registrados na história do planeta. Um novo boletim divulgado pelo programa europeu de monitoramento climático, Copernicus, acende um alerta global, indicando que estamos vivendo uma sequência inédita de extremos climáticos que tem marcado a última década.

Publicidade

A situação é ainda mais preocupante porque a média de temperatura dos últimos três anos – 2023, 2024 e 2025 – deve ultrapassar pela primeira vez a marca de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Esse é um limiar crítico que a ciência tenta alertar desde a assinatura do Acordo de Paris.

Números Confirmam Tendência de Aquecimento Excepcional

Os números apresentados pela Copernicus são claros: entre janeiro e novembro, a temperatura global já registrou um aumento de 1,48°C acima dos níveis pré-industriais. Esse é o mesmo patamar de 2023, ficando atrás apenas do pico de 2024. O que chama atenção é que, mesmo com a previsão de uma La Niña fraca – um fenômeno natural que tende a resfriar algumas regiões – a temperatura global se mantém em um patamar excepcionalmente alto. Isso significa que 2025 deve ocupar uma posição semelhante à de 2023 no ranking dos anos mais quentes da história.

Os extremos climáticos se repetem com força: de ciclones a enchentes devastadoras, a fotografia anual mostra um cenário cada vez mais desafiador.

Ultrapassagem do Limite de 1,5°C: Um Sinal Inequívoco

Publicidade

A ultrapassagem do limite de 1,5°C, quando vista pela média de três anos seguidos, ganha uma dimensão crucial. O Acordo de Paris, um pacto global para combater as mudanças climáticas, define essa meta não por um único mês ou ano, mas por um período de cerca de três décadas. No entanto, quando três anos consecutivos caminham juntos acima da marca, o recado é forte e claro. Como bem explicou a climatóloga Samantha Burgess:

“Esses marcos não são abstratos, são um retrato direto da aceleração das mudanças climáticas.”

Essa aceleração se manifesta de forma dramática em todo o mundo. O boletim da Copernicus detalha que novembro, por exemplo, foi o terceiro mais quente já registrado, com aumentos significativos no norte do Canadá, no Oceano Ártico e em partes da Antártida. Na Ásia, a população sofreu com ciclones e enchentes devastadoras, que causaram mortes e destruição em cidades inteiras. Nas Filipinas, dois tufões seguidos resultaram na morte de cerca de 260 pessoas. Para a Copernicus, esses extremos não são mais exceção; eles se tornaram parte de um padrão que se intensifica a cada ano que passa.

Alertas Internacionais Reforçam Urgência

O alerta da Copernicus não é isolado. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) e a Organização das Nações Unidas (ONU) já vinham expressando preocupação. Elas sinalizaram que manter o aquecimento abaixo de 1,5°C sem “ultrapassagem temporária” é “praticamente impossível”, nas palavras da própria OMM. É um consenso entre essas instituições que o período entre 2015 e 2025 representa a sequência de 11 anos mais quentes desde o início dos registros. Em outras palavras, o planeta está vivendo um “novo normal”, e esse normal é, infelizmente, mais quente.

Esse cenário alarmante tem raízes em fatores bem conhecidos. Um relatório da ONU, apresentado antes da COP30, destacou uma combinação de:

  • Emissões de combustíveis fósseis que continuam em alta;
  • Aquecimento recorde dos oceanos em 2024 com tendência de continuidade em 2025;
  • Extensão mínima do gelo marinho no Ártico e na Antártida.

A mensagem da Copernicus ecoa a urgência: sem uma redução rápida e significativa das emissões de gases que causam o efeito estufa, não será possível frear essa escalada. Líderes como Celeste Saulo, secretária-geral da OMM, e António Guterres, secretário-geral da ONU, já pediram ações decisivas, alertando que adiar decisões aprofunda as desigualdades e causa danos irreversíveis. Os novos dados da Copernicus apenas reforçam que o mundo está fora do caminho combinado, e os efeitos já são sentidos no dia a dia de todos nós.

Leia também