O Ministério Público da Bahia (MP-BA) fez uma recomendação urgente à prefeitura de Salvador para que a cidade abrigue, com segurança e responsabilidade, 47 gatos de rua. Esses animais foram encontrados em situação de risco na Rua Ruy Barbosa, no bairro de Paripe, na capital baiana, e a medida busca proteger tanto os felinos quanto a saúde da população local.
A situação dos gatos em Paripe é preocupante. Uma equipe da Promotoria de Justiça de Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo do MP-BA recebeu um alerta sobre uma colônia de felinos que causava problemas na região. O relato descrevia animais abandonados, muitos deles doentes – um deles, inclusive, estava com o olho fora da órbita e com feridas pelo corpo. Além disso, os gatos defecavam em áreas comuns de um prédio e quintais vizinhos, gerando incômodo e preocupação.
Uma vistoria feita pela Delegacia de Proteção Animal (DIPA) confirmou a gravidade do cenário. Eles notaram uma "proliferação descontrolada de animais", resultado direto da falta de castração. Em 10 de outubro de 2025, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Salvador esteve no local e contou os 47 gatos: eram 20 adultos e 27 filhotes. Infelizmente, muitos desses animais morrem por atropelamentos ou doenças, como informou quem fez a denúncia.
Gatos doentes e o perigo das zoonoses
A recomendação do MP-BA não se limita apenas ao bem-estar animal, mas também leva em conta a saúde pública. O órgão alertou para o alto risco de zoonoses, que são doenças transmitidas de animais para humanos. Um exemplo disso é a esporotricose, uma doença causada por fungos que tem nos gatos doentes um de seus principais transmissores para as pessoas.
Em 2025, Salvador registrou um número alarmante: foram mais de 598 casos diagnosticados de esporotricose. O Ministério da Saúde, em uma nota técnica, explica que a melhor forma de prevenir essa e outras doenças é evitar o contato direto com o fungo e, principalmente, manter os animais domiciliados, ou seja, dentro de casa. Isso ajuda muito a diminuir o risco de infecção e a proteger a população.
Os gatos em situação de rua, por não terem donos nem acesso a cuidados veterinários, ficam sem vacinas essenciais, como a da raiva, e não recebem o tratamento necessário para suas doenças. Além disso, eles estão sempre expostos a maus-tratos e acidentes, o que piora ainda mais sua condição.
O que o MP-BA pede à prefeitura
Diante de tudo isso, o Ministério Público da Bahia deixou claro que a prefeitura de Salvador precisa agir. A recomendação é que o município determine e execute, em um prazo de 20 dias, o "abrigamento seguro e responsável" desses 47 gatos. A boa notícia é que a cidade já conta com instituições credenciadas que têm vagas para acolher animais de rua, como a Sociedade Paulista de Medicina Veterinária e a ONG Doce Lar.
A administração municipal tem agora 15 dias para dar uma resposta formal ao MP-BA. Eles podem aceitar a recomendação e se comprometer a cumpri-la ou apresentar justificativas bem fundamentadas caso não possam atender ao pedido. Se aceitar, a prefeitura terá que comprovar que abrigou os animais no prazo estipulado.







