Salvador, na Bahia, amanheceu mais triste nesta sexta-feira (26) com a notícia da partida de Mãe Carmem. Aos 98 anos, a ialorixá que comandou por mais de duas décadas o Terreiro do Gantois (Ilé Ìyá Omi Àṣẹ Ìyámase), uma das casas de candomblé mais respeitadas do Brasil, nos deixou na madrugada.
Mãe Carmem, figura central na religião de matriz africana, estava internada há cerca de duas semanas no Hospital Português, na capital baiana. A causa de sua internação e falecimento foi devido a complicações de uma gripe forte, que acabou agravando seu quadro de saúde. Ela faria 99 anos na próxima segunda-feira, dia 29 de abril, pois nasceu em 1926 e foi registrada em 1928.
Um Legado de Fé e Resistência no Gantois
A ialorixá era a filha mais nova da lendária Mãe Menininha do Gantois, uma das maiores referências do candomblé brasileiro e um símbolo de fé e resistência. Seguindo os passos de sua mãe, Mãe Carmem dedicou sua vida ao terreiro. Ela foi a quinta líder religiosa a assumir o comando do Ilé Ìyá Omi Àṣẹ Ìyámase, fundado em 1849.
Sua jornada espiritual começou muito cedo, aos 7 anos de idade, quando foi iniciada no candomblé. Com um profundo conhecimento e uma sabedoria ancestral, ela assumiu a liderança do Terreiro do Gantois em 2002, mantendo viva a tradição e o axé da casa por mais de 20 anos. Durante sua gestão, o terreiro continuou a ser um farol de espiritualidade, cultura e acolhimento para a comunidade e para o mundo.
Publicidade“A Força do Gantois”, música de Nelson Rufino, lançada em 2011, é uma das homenagens à ialorixá.
Ao longo de sua vida, Mãe Carmem recebeu diversas homenagens, que celebravam sua importância e contribuição para a cultura e religião afro-brasileiras. Entre elas, destaca-se a música “A Força do Gantois”, composta pelo sambista Nelson Rufino e lançada em 2011, que eternizou em versos a grandiosidade e a espiritualidade que emanavam dela e de seu terreiro.
A partida de Mãe Carmem deixa uma lacuna imensa, mas seu legado de fé, força e dedicação ao candomblé permanecerá vivo nas gerações futuras e na história do Terreiro do Gantois. Sua vida foi um testemunho de devoção e um exemplo para todos que buscam a espiritualidade e a preservação das tradições ancestrais.







