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Missa de Sétimo Dia de Mãe Carmen Reúne Devotos em Salvador

Familiares, filhos de santo e admiradores se despedem de Mãe Carmen de Oxaguian em missa de sétimo dia em Salvador, celebrando seu legado no Gantois e na Bahia.

Redação ChicoSabeTudo
03 de janeiro, 2026 · 21:51 2 min de leitura
Foto: Reprodução / TV Bahia
Foto: Reprodução / TV Bahia

Um clima de respeito e muita emoção marcou a missa de sétimo dia de Mãe Carmen de Oxaguian, uma das mais importantes ialorixás da história recente do candomblé na Bahia. A celebração aconteceu nesta sexta-feira (2), em Salvador, na Bahia, reunindo uma multidão de pessoas na Igreja Nossa Senhora da Vitória.

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Familiares, filhos e filhas de santo, além de representantes de diversas comunidades de matriz africana e admiradores de sua longa trajetória religiosa e social, estiveram presentes para prestar as últimas homenagens e confortar uns aos outros. A missa foi organizada com carinho pelo Ilé Ìyá Omi Àṣẹ Ìyámase, mais conhecido como Terreiro do Gantois, em parceria com a Associação de São Jorge Ebé Oxóssi, mostrando a união e o legado que Mãe Carmen deixou.

Uma vida dedicada à fé e à comunidade

Mãe Carmen Oliveira da Silva nos deixou em 26 de dezembro, aos 98 anos. Ela estava internada no Hospital Português, em Salvador, há cerca de duas semanas, devido a complicações de uma forte gripe. Sua partida deixou uma lacuna enorme, mas sua vida e obra continuam a inspirar muitos.

Nascida em 1926, Mãe Carmen era a filha mais nova de Maria Escolástica de Conceição Nazareth, a famosa Mãe Menininha do Gantois, uma figura lendária do candomblé baiano. Desde os 7 anos de idade, ela já dava seus primeiros passos na religião, mostrando o caminho que seguiria.

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Em 2002, ela assumiu a liderança do Terreiro do Gantois, tornando-se a quinta dirigente dessa casa religiosa tão respeitada. Ao longo de 23 anos à frente do terreiro, Mãe Carmen trabalhou incansavelmente para:

  • Preservar as ricas tradições religiosas, culturais e ancestrais do candomblé.
  • Desenvolver importantes ações socioeducativas junto à comunidade do Gantois.
  • Promover iniciativas culturais que valorizavam a memória da religiosidade de matriz africana, como cursos de ritmos, toques, dança e bordados tradicionais.

Antes dela, outras grandes ialorixás dirigiram o Gantois, como Maria Júlia da Conceição Nazareth, Pulchéria Maria da Conceição Nazareth, sua própria mãe, Maria Escolástica da Conceição Nazareth, e Cleusa Millet, formando uma linhagem de força e sabedoria.

Reconhecimento de um legado

O impacto de Mãe Carmen em Salvador e no Brasil foi reconhecido por diversas instituições. Em maio de 2023, ela recebeu a Comenda Maria Quitéria, uma honraria dada a mulheres que se destacam por seus serviços prestados à capital baiana ou ao estado da Bahia. Anos antes, em maio de 2010, sua dedicação à diversidade cultural foi celebrada com a Medalha dos 5 Continentes ou da Diversidade Cultural, concedida pela Unesco.

Sua influência também ecoou na música. O sambista Nelson Rufino a homenageou com a canção "A Força do Gantois", lançada em agosto de 2011, eternizando sua importância em versos e melodia.

A missa de sétimo dia não foi apenas um momento de despedida, mas de celebração de uma vida plena, dedicada à fé, à cultura e ao próximo. Mãe Carmen de Oxaguian deixa um legado imaterial que continuará a guiar e inspirar gerações.

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