Boas notícias para as futuras mamães na Bahia! Alguns hospitais públicos do estado podem começar a oferecer um novo procedimento para partos, utilizando anestesia peridural em partos vaginais. Essa iniciativa faz parte de um grande projeto de cooperação entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a França, com o objetivo principal de diminuir o número de cesarianas desnecessárias no país.
A discussão e o planejamento para essa mudança aconteceram durante o II Seminário Franco-Brasileiro sobre Analgesia Peridural no Parto, que reuniu em Salvador, na Bahia, especialistas e gestores da área da saúde de todo o mundo. O seminário, que começou na quinta-feira (18) e terminou nesta sexta (19), serviu para que a capital baiana pudesse avançar nesse tema tão importante.
Por que diminuir as cesarianas?
O Brasil está entre os países com as taxas mais altas de cesarianas no mundo. Mais da metade dos nascimentos por aqui acontecem por meio de cirurgia, chegando a quase 60% dos partos. Esse número é quase três vezes maior do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que sugere entre 10% e 15%.
O projeto quer garantir mais segurança para as mulheres e homens trans atendidos pelo SUS. Embora a cesariana seja um procedimento seguro quando necessário, quando feita sem indicação clínica, ela pode trazer mais riscos. Entenda os problemas associados à cesariana sem necessidade:
- Maior chance de hemorragias.
- Risco de infecções.
- Possíveis complicações anestésicas.
- Impactos em futuras gestações.
- Aumento da probabilidade de morte materna, em algumas situações, quase três vezes maior que no parto vaginal, especialmente por hemorragias e problemas com a anestesia.
A ideia é promover um parto mais seguro, respeitoso e humanizado, reduzindo as complicações e a violência obstétrica.
Como funcionará o projeto?
O modelo de trabalho, que já foi testado com sucesso no Rio de Janeiro, cria uma série de procedimentos para que os hospitais públicos possam adotar a anestesia peridural. Durante o seminário, realizado no Auditório Lúcia Alencar, na sede da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), uma lista de unidades de saúde foi divulgada como elegível para iniciar o projeto aqui na Bahia.
Confira os hospitais selecionados na Bahia:
Os hospitais foram escolhidos com base em dados do Relatório de Informação Hospitalar do DATASUS:
- Maternidade do Hospital Geral Roberto Santos (Salvador, na Bahia)
Leitos obstétricos: 60
Partos: 2.210 (753 vaginais - 34,07%; 1.457 cesáreas - 65,93%)
Equipe: 47 médicos obstetras, 35 enfermeiras obstetras e 3 anestesistas. - Maternidade Regional de Camaçari (Camaçari, na Bahia)
Leitos obstétricos: 64
Partos: 3.340 (1.553 vaginais - 46,5%; 1.787 cesáreas - 53,5%)
Equipe: 43 médicos obstetras, 20 enfermeiras obstetras e 45 anestesistas. - Maternidade do Hospital Regional de Juazeiro (Juazeiro, na Bahia)
Leitos obstétricos: 30
Partos: 1.139 (369 vaginais - 32,4%; 770 cesáreas - 67,6%)
Equipe: 15 médicos obstetras, 22 enfermeiras obstetras e 11 anestesistas. - Hospital Materno Infantil Dr. Joaquim Sampaio (Ilhéus, na Bahia)
Leitos obstétricos: 32
Partos: 2.922 (1.872 vaginais - 64,07%; 1.050 cesáreas - 35,93%)
Equipe: 22 médicos obstetras, 12 enfermeiras obstetras e 9 anestesistas. - Maternidade Maria da Conceição de Jesus, na Bahia
Leitos obstétricos: 60
Partos: 2.788 (1.764 vaginais - 63,27%; 1.024 cesáreas - 36,72%)
Equipe: 84 médicos obstetras, 91 enfermeiras obstetras e 43 anestesistas. - Maternidade José Maria de Magalhães Neto, na Bahia
Leitos obstétricos: 136
Partos: 5.566 (2.326 vaginais - 41,79%; 3.240 cesáreas - 58,21%)
Equipe: 92 médicos obstetras, 40 enfermeiras obstetras e 15 anestesistas. - Maternidade Tsylla Balbino, na Bahia
Leitos obstétricos: 67
Partos: 2.680 (1.375 vaginais - 51,31%; 1.305 cesáreas - 48,69%)
Equipe: 66 médicos obstetras, 22 enfermeiras obstetras e 23 anestesistas.
Essa iniciativa é um passo importante para oferecer mais opções e um cuidado de qualidade para as gestantes, garantindo que o nascimento seja um momento mais tranquilo e seguro para todos.







