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Saúde

Hospitais da Bahia podem oferecer anestesia peridural para partos normais

Um projeto da Fiocruz e França quer mudar a realidade dos partos no SUS baiano, oferecendo anestesia peridural e buscando reduzir cesarianas desnecessárias.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
19 de dezembro, 2025 · 03:07 3 min de leitura
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Boas notícias para as futuras mamães na Bahia! Alguns hospitais públicos do estado podem começar a oferecer um novo procedimento para partos, utilizando anestesia peridural em partos vaginais. Essa iniciativa faz parte de um grande projeto de cooperação entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a França, com o objetivo principal de diminuir o número de cesarianas desnecessárias no país.

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A discussão e o planejamento para essa mudança aconteceram durante o II Seminário Franco-Brasileiro sobre Analgesia Peridural no Parto, que reuniu em Salvador, na Bahia, especialistas e gestores da área da saúde de todo o mundo. O seminário, que começou na quinta-feira (18) e terminou nesta sexta (19), serviu para que a capital baiana pudesse avançar nesse tema tão importante.

Por que diminuir as cesarianas?

O Brasil está entre os países com as taxas mais altas de cesarianas no mundo. Mais da metade dos nascimentos por aqui acontecem por meio de cirurgia, chegando a quase 60% dos partos. Esse número é quase três vezes maior do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que sugere entre 10% e 15%.

O projeto quer garantir mais segurança para as mulheres e homens trans atendidos pelo SUS. Embora a cesariana seja um procedimento seguro quando necessário, quando feita sem indicação clínica, ela pode trazer mais riscos. Entenda os problemas associados à cesariana sem necessidade:

  • Maior chance de hemorragias.
  • Risco de infecções.
  • Possíveis complicações anestésicas.
  • Impactos em futuras gestações.
  • Aumento da probabilidade de morte materna, em algumas situações, quase três vezes maior que no parto vaginal, especialmente por hemorragias e problemas com a anestesia.
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A ideia é promover um parto mais seguro, respeitoso e humanizado, reduzindo as complicações e a violência obstétrica.

Como funcionará o projeto?

O modelo de trabalho, que já foi testado com sucesso no Rio de Janeiro, cria uma série de procedimentos para que os hospitais públicos possam adotar a anestesia peridural. Durante o seminário, realizado no Auditório Lúcia Alencar, na sede da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), uma lista de unidades de saúde foi divulgada como elegível para iniciar o projeto aqui na Bahia.

Confira os hospitais selecionados na Bahia:

Os hospitais foram escolhidos com base em dados do Relatório de Informação Hospitalar do DATASUS:

  • Maternidade do Hospital Geral Roberto Santos (Salvador, na Bahia)
    Leitos obstétricos: 60
    Partos: 2.210 (753 vaginais - 34,07%; 1.457 cesáreas - 65,93%)
    Equipe: 47 médicos obstetras, 35 enfermeiras obstetras e 3 anestesistas.
  • Maternidade Regional de Camaçari (Camaçari, na Bahia)
    Leitos obstétricos: 64
    Partos: 3.340 (1.553 vaginais - 46,5%; 1.787 cesáreas - 53,5%)
    Equipe: 43 médicos obstetras, 20 enfermeiras obstetras e 45 anestesistas.
  • Maternidade do Hospital Regional de Juazeiro (Juazeiro, na Bahia)
    Leitos obstétricos: 30
    Partos: 1.139 (369 vaginais - 32,4%; 770 cesáreas - 67,6%)
    Equipe: 15 médicos obstetras, 22 enfermeiras obstetras e 11 anestesistas.
  • Hospital Materno Infantil Dr. Joaquim Sampaio (Ilhéus, na Bahia)
    Leitos obstétricos: 32
    Partos: 2.922 (1.872 vaginais - 64,07%; 1.050 cesáreas - 35,93%)
    Equipe: 22 médicos obstetras, 12 enfermeiras obstetras e 9 anestesistas.
  • Maternidade Maria da Conceição de Jesus, na Bahia
    Leitos obstétricos: 60
    Partos: 2.788 (1.764 vaginais - 63,27%; 1.024 cesáreas - 36,72%)
    Equipe: 84 médicos obstetras, 91 enfermeiras obstetras e 43 anestesistas.
  • Maternidade José Maria de Magalhães Neto, na Bahia
    Leitos obstétricos: 136
    Partos: 5.566 (2.326 vaginais - 41,79%; 3.240 cesáreas - 58,21%)
    Equipe: 92 médicos obstetras, 40 enfermeiras obstetras e 15 anestesistas.
  • Maternidade Tsylla Balbino, na Bahia
    Leitos obstétricos: 67
    Partos: 2.680 (1.375 vaginais - 51,31%; 1.305 cesáreas - 48,69%)
    Equipe: 66 médicos obstetras, 22 enfermeiras obstetras e 23 anestesistas.

Essa iniciativa é um passo importante para oferecer mais opções e um cuidado de qualidade para as gestantes, garantindo que o nascimento seja um momento mais tranquilo e seguro para todos.

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