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Ferida que não fecha pode ser câncer de boca: especialista lista sinais que ninguém deve ignorar

Odontóloga estomatologista detalha os principais alertas da doença, aponta tabaco, álcool, sol e HPV como vilões e explica por que ir ao dentista pode salvar a vida do paciente.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
10 de junho, 2026 · 07:39 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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Uma ferida na boca que não cicatriza em duas semanas, uma mancha esbranquiçada na língua ou um caroço persistente no pescoço. Esses sinais podem parecer banais, mas são alertas sérios para o câncer de boca — e ignorá-los pode custar caro. A odontóloga estomatologista Dra. Sônia Ferreira, especialista em lesões da cavidade oral e professora do curso de Odontologia do Cesmac em Alagoas, detalhou em entrevista os principais pontos que toda a população precisa conhecer sobre a doença.

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O cenário no Brasil é preocupante. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimam cerca de 15 mil novos casos de câncer de boca por ano, sendo o 5º tipo de maior incidência no Brasil. Entre os homens, a cavidade oral figura entre os cinco cânceres mais incidentes, ao lado de próstata, cólon e reto, pulmão e estômago. No Nordeste, o problema é ainda mais grave: a região registra estimativa de 10.070 novos diagnósticos de câncer de cabeça e pescoço por ano — o segundo maior índice entre todas as regiões do país.

Um dos maiores gargalos, segundo a especialista, é que a doença costuma ser encontrada quando já avançou demais. Embora as alterações na cavidade oral possam ser percebidas com facilidade, o índice de diagnóstico tardio ainda é alto: cerca de 70% dos casos são identificados com tumores em fases avançadas, o que reduz significativamente as chances de cura. A Dra. Sônia reforça que a população deve ficar atenta a sinais específicos: feridas nos lábios ou na boca que não cicatrizam em até 15 dias, manchas ou placas esbranquiçadas ou avermelhadas na língua, gengiva ou bochechas, nódulos persistentes no pescoço e dificuldade ou dor para engolir, mastigar ou movimentar a língua.

A especialista destaca que até 75% dos diagnósticos de câncer de boca estão relacionados ao uso de tabaco e álcool. O tabagismo em todas as suas formas — cigarro, charuto, palha ou narguilé — e o consumo crônico de bebidas alcoólicas são os principais fatores de risco, especialmente quando combinados. Para quem vive e trabalha ao sol, como é o caso de muitos trabalhadores rurais da região do São Francisco, há um alerta adicional: a incidência muito alta de raios solares nos lábios também está entre os hábitos cotidianos que aumentam as chances de desenvolvimento da doença.

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Outro ponto de atenção crescente é a relação entre o vírus HPV e o câncer de boca e de orofaringe. No Brasil, observa-se um aumento da prevalência do câncer de orofaringe, e o crescimento dos casos induzidos pelo HPV — especialmente entre jovens — reflete uma transição epidemiológica significativa. A Dra. Sônia orienta que a prevenção passa pelo sexo seguro e, principalmente, pela vacinação. A vacina contra o HPV está disponível gratuitamente na rede pública de saúde para o público infantojuvenil e é apontada pela especialista como a estratégia mais eficaz para proteger as próximas gerações.

Muitas vezes, as lesões iniciais não causam nenhuma dor, o que leva o paciente a achar que está tudo bem. Por isso, a especialista defende duas frentes de defesa: o autoexame mensal — olhar a própria boca no espelho para notar qualquer alteração visual — e as consultas periódicas ao cirurgião-dentista. O papel dos cirurgiões-dentistas da atenção básica é fundamental para o controle do câncer de boca, sendo essencial que estejam capacitados para desenvolver ações de prevenção e detecção precoce.

Quando a doença é identificada cedo, o prognóstico muda completamente. Segundo informações divulgadas pela especialista ao portal Cada Minuto, o diagnóstico precoce eleva as chances de cura para mais de 80%, além de viabilizar tratamentos mais leves, sem cirurgias extensas ou mutiladoras. Preservam-se funções essenciais do dia a dia: a fala, a mastigação, a deglutição, a estética facial e a autoestima. Especialistas confirmam que a doença tem alta possibilidade de cura quando descoberta em fase inicial. O recado da Dra. Sônia é direto: não espere o Maio Vermelho para cuidar da sua boca — a doença não escolhe calendário.

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