A cidade de Mumbai, na Índia, enfrenta um dilema crescente com a expansão de data centers, que intensificam a crise de qualidade do ar e a saúde pública. A explosão de demandas tecnológicas, impulsionada principalmente por empresas como a Amazon, agrava os já sérios problemas ambientais na região, especialmente em áreas vulneráveis como Mahul.
Recentemente, investigações revelaram que a Amazon opera 16 data centers na grande Mumbai, muito mais do que os três que divulga oficialmente. Esses centros de dados exigem uma quantidade significativa de energia, exacerbando a pressão sobre uma infraestrutura elétrica já sobrecarregada, especialmente em tempos de calor extremo. O uso intensivo de geradores a diesel para suportar essas operações se torna uma preocupação adicional em uma área que já luta contra a poluição industrial.
Os moradores de Mahul relatam um aumento preocupante de problemas de saúde relacionados à poluição. Casos de doenças respiratórias e câncer são comuns na região, que já sofre com a presença de usinas de carvão antigas e refinarias. Kiran Kasbe, um riquixá local, testemunha diariamente os efeitos dessa realidade na saúde da população:
“Não somos os únicos enfrentando desafios de saúde na área”,afirmou. Entre os principais agravantes comunicados por especialistas estão as regras de emissão de usinas e a proximidade de fábricas químicas.
A investigação também aponta que os data centers da Amazon consumiram mais de 624 mil megawatt-hora em 2023, energia suficiente para alimentar centenas de milhares de lares indianos. Apesar dos investimentos da empresa em energia limpa, incluindo projetos solares e eólicos, organizações internas como a Amazon Employees for Climate Justice contestam essa narrativa, argumentando que a compensação de carbono é insuficiente diante do impacto ambiental real.
Com a expansão desenfreada dos data centers e o aumento dos níveis de poluição, o futuro da saúde pública em Mumbai se mostra incerto. Especialistas e comunidades locais continuam a pressionar por medidas mais eficazes em resposta a esse complexo cenário energético e ambiental.







