Pesquisadores do Mass General Brigham e do Instituto Ragon identificaram as razões pelas quais apenas alguns pacientes que vivem com HIV conseguem manter o vírus sob controle após interromper o tratamento padrão. O estudo, publicado na revista Nature, esclarece por que determinados indivíduos conseguem alcançar remissões prolongadas enquanto outros têm um retorno da carga viral.
De acordo com o autor sênior da pesquisa, Dr. David Collins, a diferença está em uma característica específica das células T CD8+, que têm a função de eliminar células infectadas. "Algumas pessoas conseguem controlar o vírus por conta própria graças à qualidade dessas células assassinas", explicou. Essa descoberta poderia ser fundamental para desenvolver terapias que utilizam as defesas naturais do corpo humano para promover uma remissão duradoura.
A equipe de pesquisa analisou amostras de 12 participantes de quatro ensaios clínicos. Sete deles conseguiram manter o vírus em níveis muito baixos por até sete anos após a interrupção do tratamento padrão, enquanto cinco apresentaram um rebote viral. Nos chamados “controladores pós-intervenção”, as células T CD8+ demonstraram maior capacidade de multiplicação e destruição das células infectadas, habilidades que já estavam presentes antes do início do tratamento.
Os cientistas acreditam que imunoterapias que reforcem essas capacidades celulares podem aumentar significativamente as taxas de remissão entre os pacientes. No entanto, estudos adicionais serão necessários para confirmar se essas características podem prever a eficácia do tratamento. Bruce Walker, diretor do Instituto Ragon, afirmou: "Estamos empenhados em reproduzir essas propriedades imunes em mais pessoas vivendo com HIV. Ainda não sabemos se será possível, mas estamos otimistas".







