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Saúde

Estudo no Brasil usa genética para personalizar tratamento do AVC

Um novo projeto, Ártemis-Brasil, lançado por Hospital Moinhos de Vento e Ministério da Saúde, vai investigar a genética de pacientes com AVC isquêmico para personalizar tratamentos e prevenção.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
18 de dezembro, 2025 · 22:06 3 min de leitura
Casos de AVC crescem entre jovens brasileiro (Imagem: utah778/iStock)
Casos de AVC crescem entre jovens brasileiro (Imagem: utah778/iStock)

O Brasil está dando um grande passo na luta contra o Acidente Vascular Cerebral (AVC). O Hospital Moinhos de Vento, em parceria com o Ministério da Saúde, por meio do programa Proadi-SUS, lançou o projeto Ártemis-Brasil. A iniciativa ambiciosa vai analisar a genética de pessoas que sofreram AVC isquêmico, buscando entender melhor os fatores de risco e, assim, criar tratamentos mais sob medida para cada paciente.

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Imagine ter um tratamento para o AVC que considera o seu “livro de receitas” genético individual. Essa é a promessa do estudo. Segundo a Agência Brasil, a ideia é abrir caminho para que os cuidados médicos sejam mais precisos, levando em conta a grande diversidade genética da população brasileira. Isso pode fazer uma diferença enorme na prevenção e no tratamento da doença.

Entendendo o AVC isquêmico e o papel da genética

Para quem não sabe, o AVC isquêmico acontece quando uma artéria no cérebro fica bloqueada, impedindo que o oxigênio chegue. Essa obstrução pode ser por um coágulo (trombose) ou por algo que viaja pelo sangue e para lá (embolia). Ele é responsável por cerca de 85% de todos os casos de AVC, de acordo com o Ministério da Saúde.

Hoje, os cientistas sabem que a genética tem uma influência importante no risco de uma pessoa ter um AVC. Não só isso, mas ela também impacta a chance de desenvolver outras condições que aumentam esse risco, como pressão alta, diabetes e colesterol elevado. O projeto Ártemis-Brasil vai a fundo nisso, analisando o genoma humano para entender como cada corpo reage aos tratamentos e, quem sabe, ajudar a desenvolver remédios mais eficazes.

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“É muito importante investir na prevenção e também entender o perfil genético de cada pessoa, para indicar tratamentos, alimentação e exercícios personalizados”, explica Ana Cláudia de Souza, neurologista e coordenadora do projeto.

Como o estudo vai funcionar?

A pesquisa já começou em novembro do ano passado e envolve onze centros de alta complexidade do Sistema Único de Saúde (SUS) espalhados pelo Brasil. O objetivo é incluir mil participantes até o final de 2026: metade deles (500) serão pacientes que já tiveram um AVC isquêmico e a outra metade (500) serão pessoas saudáveis. Comparando os genes desses dois grupos, os pesquisadores esperam identificar quais alterações genéticas estão realmente ligadas à doença.

Essa abordagem permitirá montar um quadro mais completo para a prevenção e o tratamento do AVC, focando na medicina de precisão, que é quando o tratamento é feito sob medida para cada pessoa. Além disso, o projeto vai ajudar a capacitar profissionais do SUS nessa área e preencher uma lacuna: a falta de representatividade da diversidade genética brasileira em estudos internacionais.

Avanços e desafios no combate ao AVC no Brasil

Nos últimos 20 anos, o Brasil fez progressos significativos no tratamento do AVC, muito graças ao trabalho da Rede Brasil AVC e da Sociedade Brasileira de AVC. Hoje, temos recursos como:

  • Procedimentos para desobstruir vasos cerebrais na fase aguda do AVC.
  • A trombectomia mecânica, que é parecida com um cateterismo no coração, mas feita no cérebro.
  • Estratégias de prevenção para evitar que um paciente sofra um segundo AVC.

No entanto, a neurologista Ana Cláudia de Souza alerta que ainda existem regiões do país, especialmente no Norte e Nordeste, onde o acesso a esses tratamentos de ponta é mais difícil. Essa é uma das razões pelas quais a pesquisa genética se torna ainda mais vital, buscando soluções que possam ser aplicadas de forma mais ampla e personalizada.

O impacto do AVC na vida dos brasileiros

O AVC continua sendo uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil. Em 2024, por exemplo, 85.427 pessoas morreram por causa da doença, o que dá uma média assustadora de 11 mortes por hora, segundo dados da Rede Brasil AVC. Infelizmente, cerca de 80% desses casos poderiam ser evitados com prevenção adequada.

Com o projeto Ártemis-Brasil, a esperança é que, ao desvendar os segredos da genética, o país consiga avançar ainda mais na prevenção, no diagnóstico precoce e em tratamentos que realmente façam a diferença na vida de milhões de brasileiros, reduzindo o sofrimento e salvando vidas.

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