Um estudo realizado pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP trouxe um alerta preocupante para quem consome peixes de rio. Pesquisadores identificaram a presença de antibióticos, inclusive alguns proibidos no Brasil, na carne de lambaris capturados por pescadores locais.
O foco da investigação foi o Rio Piracicaba, em São Paulo, mas o cenário reflete um problema ambiental que atinge diversas bacias hidrográficas. Os medicamentos chegam aos rios através do esgoto doméstico, dejetos da criação de animais e pelo descarte inadequado de remédios que sobram em casa.
Entre as substâncias encontradas está o cloranfenicol. O uso desse antibiótico é proibido na pecuária brasileira devido ao seu alto nível de toxicidade para os seres humanos. O fato de ele ter sido detectado em peixes prontos para o consumo levanta sérias dúvidas sobre a segurança alimentar.
A pesquisa apontou que a situação piora durante o período de seca. Com o volume de água mais baixo, a concentração de poluentes aumenta, facilitando a contaminação da fauna aquática. Além disso, esses resíduos químicos ficam armazenados no fundo dos rios, no sedimento, poluindo o ecossistema por longos períodos.
Outro ponto crítico revelado pelos cientistas é que as estações de tratamento de esgoto comuns não conseguem remover totalmente esses fármacos da água. Isso significa que os antibióticos permanecem ativos no meio ambiente, afetando não apenas os peixes, mas podendo chegar até à água potável.
Como alternativa para limpar os rios, os especialistas testaram o uso de plantas flutuantes, como a Salvinia auriculata. Em testes controlados, a planta funcionou como uma espécie de 'esponja', conseguindo remover mais de 95% de certos tipos de antibióticos em poucos dias, surgindo como uma esperança para a despoluição biológica.







