Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Saúde

Entenda como é feito o transplante de medula óssea

Saiba como o transplante de medula óssea é feito, tanto para quem recebe quanto para o doador, e sua importância vital no tratamento de doenças do sangue.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
17 de dezembro, 2025 · 07:23 4 min de leitura
Novidade abre caminho para a regeneração da medula espinhal (Imagem: NMK-Studio
/Shutterstock)
Novidade abre caminho para a regeneração da medula espinhal (Imagem: NMK-Studio /Shutterstock)

Imagine o seu corpo como uma fábrica super complexa. Dentro dela, existe um setor vital que produz todo o combustível para você funcionar: o sangue. Esse setor é a medula óssea, um tecido que vive dentro dos seus ossos e que muita gente confunde com a medula espinhal (aquela da coluna, responsável pelos nervos).

Publicidade

Quando essa "fábrica" de sangue tem problemas sérios, como doenças graves, a única saída pode ser trocar o maquinário defeituoso por um novinho em folha. É aí que entra o transplante de medula óssea (TMO), um procedimento que transforma e salva milhares de vidas todos os anos.

Muita gente pensa que o transplante de medula é uma cirurgia complicada de "troca de órgãos", mas, para quem recebe, é bem mais simples do que parece. É um processo delicado de renovação celular, uma verdadeira chance de renascimento.

O que é e para que serve a medula óssea?

Antes de entender o transplante, vamos entender a medula óssea. Ela é um tecido meio líquido, meio gelatinoso, que preenche o interior dos ossos, popularmente conhecido como "tutano". Sua função é super importante: é nela que nascem as células-tronco hematopoéticas, as mães de todas as células do sangue.

Publicidade

São essas células que dão origem a:

  • Hemácias: os glóbulos vermelhos, que levam oxigênio para o corpo.
  • Leucócitos: os glóbulos brancos, nossos soldados de defesa contra infecções.
  • Plaquetas: responsáveis pela coagulação, para estancar sangramentos.

Quando a medula adoece, a produção dessas células fica comprometida, e o corpo todo sofre.

Como é feito o transplante para o paciente?

Para o paciente que precisa de uma nova medula, o procedimento é surpreendentemente tranquilo. Ele se parece muito com uma transfusão de sangue comum. As células saudáveis do doador entram na veia e, por um caminho que a biologia se encarrega de guiar, chegam até o interior dos ossos, se instalam e começam a trabalhar, produzindo um sangue novo e saudável.

Como a medula é coletada do doador?

A coleta da medula para o doador (ou para o próprio paciente, em casos de autotransplante) pode ser feita de duas maneiras principais, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA):

1. Por punção direta (cirúrgica)

Nesse método, a medula é retirada do interior dos ossos da bacia (crista ilíaca) por meio de algumas punções. Entenda melhor:

  • Agulhas especiais: São usadas agulhas mais grossas que as de injeção normal, feitas para aspirar a parte "esponjosa" do osso.
  • Sem dor: O procedimento é feito em centro cirúrgico, com anestesia (peridural ou geral), e dura cerca de 90 minutos. O doador não sente dor durante a coleta. Depois que a anestesia passa, pode haver um desconforto no local, parecido com uma batida ou queda.
  • Internação: É preciso ficar internado por 24 horas.

2. Por aférese (coleta pela veia)

Esta forma é mais parecida com uma doação de sangue. O doador toma um medicamento por alguns dias para que as células-tronco se multipliquem e "transbordem" para o sangue. Depois:

  • Uma máquina filtra o sangue do doador, retira as células-tronco e devolve o restante do sangue para o corpo.
  • Não precisa de internação nem anestesia.
  • Pode causar um desconforto temporário no corpo por causa da medicação.

Quem precisa de transplante e por quê?

O transplante de medula óssea é indicado para tratar diversas doenças que afetam as células do sangue. As mais comuns incluem:

  • Leucemias (câncer no sangue)
  • Linfomas
  • Anemias graves
  • Algumas doenças autoimunes

Especialistas explicam que o transplante costuma ser a grande esperança de cura quando a quimioterapia normal não consegue eliminar a doença. Se a medula não for usada na hora, ela pode ser congelada em tanques de nitrogênio líquido para uso futuro.

Como se tornar um doador de medula óssea?

Doar medula é diferente de doar sangue. Enquanto na doação de sangue você doa na hora, na medula você se cadastra e entra numa lista de espera. Para ser um doador voluntário no Brasil, você precisa:

  • Fazer um cadastro no REDOME (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea) em um hemocentro.
  • Doar uma pequena amostra de sangue (5ml) para fazer a análise genética (tipagem HLA).

É importante saber: você não vai doar medula com frequência. Seus dados ficam no sistema e, se, e somente se, surgir um paciente compatível com você em qualquer lugar do Brasil ou do mundo, você será chamado para doar. A chance de achar um doador que não seja da família é pequena, pode ser de 1 em cada 100 mil, por isso quanto mais cadastros, maiores as chances de salvar vidas!

Requisitos básicos para doar:

  • Ter entre 18 e 35 anos (para novos cadastros no Brasil).
  • Estar com a saúde em dia.
  • Não ter doenças infecciosas, câncer ou doenças do sistema imunológico.

O maior presente: salvar uma vida

O maior benefício de ser um doador é o presente imaterial de poder salvar uma vida. O corpo do doador repõe a medula doada em poucas semanas, e esse ato de solidariedade é crucial para o tratamento de cerca de 80 doenças diferentes. A compatibilidade é a chave para o sucesso desses transplantes.

Leia também