Um alerta direto e grave saiu da boca de um oficial da Polícia Militar da Bahia: quem compra canetas emagrecedoras fora dos canais autorizados pode estar se injetando com uma substância que não faz absolutamente nada — ou pior. O tenente-coronel Batalha fez a declaração durante entrevista ao programa Se Liga Bocão, ao comentar os resultados de uma operação conjunta entre as forças de segurança contra a venda clandestina desses medicamentos.
"Muita gente tem interesse nas canetinhas por questão de saúde e às vezes está ingerindo ali um placebo", disse o oficial, segundo informações divulgadas pelo portal BNews. Para ele, a venda irregular representa uma "irresponsabilidade gigantesca", já que o consumidor em tratamento pode deixar de receber os efeitos do medicamento sem sequer saber.
A operação foi resultado de um trabalho integrado entre a Polícia Militar e a Polícia Civil, por meio do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic). Segundo o comandante, dos 24 alvos identificados durante a investigação, aproximadamente 22 foram localizados pelas equipes. As ações não se restringiram ao Complexo do Nordeste de Amaralina — diligências também alcançaram o bairro de Valéria, em Salvador, e outros alvos fora da Bahia.
O risco apontado pelo coronel não é exagero. Os riscos mapeados pela Anvisa incluem esterilização inadequada, insumos sem origem comprovada e dosagem incerta. Em casos extremos, produtos falsificados já continham insulina no lugar de semaglutida, com risco de hipoglicemia grave. Uma caneta adulterada pode provocar infecções graves, reações inflamatórias, contaminação bacteriana, dosagem incorreta ou até ausência do princípio ativo, podendo incluir compostos tóxicos.
A Bahia tem sido palco de uma série de operações contra esse tipo de comércio ilegal. A Polícia Civil da Bahia e a Polícia Militar deflagraram a Operação Dose Final, coordenada pelo Deic, com o objetivo de cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes de uma organização criminosa investigada por roubos a estabelecimentos farmacêuticos. Os criminosos miravam medicamentos de alto valor comercial como Mounjaro, Ozempic e Wegovy, utilizados para tratamento de diabetes e obesidade.
Antes disso, uma megaoperação da Polícia Civil da Bahia foi deflagrada para desarticular um esquema criminoso de comercialização irregular de substâncias divulgadas como canetas emagrecedoras. Batizada de Operação Peptídeos, a ação é coordenada pela Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon) e cumpriu mandados judiciais em Salvador, Lauro de Freitas, Camaçari, Simões Filho, Feira de Santana e na cidade de São Paulo.
O cenário nacional é igualmente preocupante. Entre 2018 e março de 2026, foram registradas 2.965 notificações de eventos adversos relacionados aos medicamentos, especialmente em 2025, com predominância de casos associados ao uso da semaglutida. A demanda pelas canetas emagrecedoras tem alimentado a circulação de produtos falsificados, manipulados em condições inadequadas ou de procedência desconhecida. A venda de medicamentos irregulares é crime previsto no artigo 273 do Código Penal.
O tenente-coronel reforçou que a população deve desconfiar de ofertas com preços muito abaixo do mercado. "A população também tem que ficar atenta para não ser enganada por canetinha barata demais", concluiu, segundo informações divulgadas pelo BNews. Especialistas recomendam comprar apenas em farmácias credenciadas com autorização da Anvisa, exigir nota fiscal, verificar o número de lote na embalagem e a integridade do lacre.







