A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, COP30, que ocorreu esta semana em Belém, no Pará, trouxe à tona uma preocupação crescente: o aumento de doenças alérgicas e respiratórias, exacerbado pelas mudanças climáticas. A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) enviou uma carta ao presidente da conferência, embaixador André Corrêa do Lago, destacando que a predisposição genética sozinha não explica o crescimento alarmante de casos de asma, rinite, dermatite atópica e outras condições alérgicas no Brasil nos últimos anos.
A ASBAI enfatizou que a COP30 representa uma oportunidade única para o Brasil promover ações que visem a redução da poluição e do aquecimento global. Na carta, a associação destacou a necessidade de conscientização sobre a relação entre saúde humana e saúde planetária, ressaltando a importância do engajamento da população jovem em iniciativas de reparação climática.
Diversas pesquisas associam a elevação da poluição ambiental às doenças imunomediadas, apontando que fatores como poluentes atmosféricos e ondas de calor comprometem as barreiras mucosas dos órgãos, elevando as reações alérgicas. A presença de material particulado e dióxido de carbono na atmosfera intensifica a produção de alérgenos, como o pólen, e condições climáticas extremas, como enchentes, favorecem a proliferação de fungos e ácaros dentro dos lares.
Além disso, a carta menciona eventos climáticos recentes, como as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, que contribuíram para o aumento de doenças alérgicas na população. Também foram registrados mais de 60% de aumento nos incêndios na região amazônica no mesmo ano. Essa situação gerou uma elevação nos níveis de poluentes no ar, superando os limites seguros estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde.
Outro problema destacado é a poluição plástica, que tem sido associada a doenças crônicas e a agravamento de condições alérgicas. O Brasil, uma das principais potências na produção de plástico, recicla apenas uma fração de sua produção. A ASBAI espera que a COP30 seja um momento para reativar discussões sobre tratados globais que busquem enfrentar a crise da poluição plástica e incentivem práticas sustentáveis, como a reciclagem e a reutilização de materiais.







