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Saúde

Continentes secam e perdem água para 280 milhões de pessoas, alerta estudo

Um estudo do Banco Mundial e NASA revela que os continentes perdem anualmente água doce suficiente para suprir 280 milhões de pessoas, contribuindo mais para o nível do mar que as calotas polares.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
11 de janeiro, 2026 · 16:47 3 min de leitura
oceanos e continentes  Crédito: Universidade de Southampton
oceanos e continentes Crédito: Universidade de Southampton

Imagine perder, a cada ano, água doce suficiente para abastecer 280 milhões de pessoas. Parece um cenário distante, mas essa é a dura realidade que um novo e completo relatório do Banco Mundial, feito com base em 22 anos de dados de satélite da NASA, acaba de revelar. Os continentes estão secando numa velocidade nunca vista antes, e essa perda de água da terra firme é o que mais contribui para a elevação do nível do mar no mundo, superando até mesmo o derretimento das calotas polares.

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O estudo mostra que, anualmente, as grandes áreas de terra perdem cerca de 324 bilhões de metros cúbicos de água doce. Para dar uma ideia, é como se quatro piscinas olímpicas fossem esvaziadas a cada segundo. Este volume absurdo de água, que poderia sustentar a sede e as necessidades diárias de quase 300 milhões de pessoas, não está apenas sumindo; ele está indo parar nos oceanos.

Por que estamos perdendo tanta água doce?

O fenômeno, chamado de “seca continental”, acontece por várias razões. A principal delas é a forma como tiramos água do chão – a chamada água subterrânea – de maneira exagerada para a agricultura e para o nosso consumo diário. Além disso, a evaporação e o derretimento das geleiras agravam a situação. Fan Zhang, que liderou o estudo pelo Banco Mundial, deixou claro que o problema não respeita fronteiras:

“Problemas hídricos locais podem rapidamente se alastrar para além das fronteiras nacionais e se tornar um desafio internacional.”

Quem mais sofre com a falta de água?

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As consequências dessa escassez são pesadas e afetam principalmente as regiões mais pobres e que dependem muito da agricultura. No Sul da Ásia e na África Subsaariana, por exemplo, a perda de água chega a 10% do que eles teriam disponível por ano. Só na África Subsaariana, as secas tiram entre 600 mil e 900 mil empregos todos os anos. A crise também coloca em risco a vida de muitos animais e plantas, aumentando as chances de grandes incêndios em pelo menos 17 das 36 áreas mais ricas em biodiversidade do mundo, incluindo partes do Brasil, Madagascar e Sudeste Asiático.

Ainda podemos resolver isso?

Apesar da dimensão do problema, o relatório não traz apenas notícias ruins; ele aponta caminhos para mudar essa realidade. As soluções se concentram em três pontos principais:

  • Agricultura mais eficiente: Como a produção de alimentos usa 98% da água do mundo, mesmo pequenas melhorias na forma de irrigar ou no tipo de planta cultivada (escolhendo variedades que precisam de menos água) podem gerar uma economia gigantesca.
  • Comércio inteligente de água: Países que sofrem com a falta de água podem protegê-la importando produtos que demandam muita água para serem feitos, como grãos e algodão. Assim, eles preservam seus próprios recursos.
  • Gestão pública forte: Países com boas políticas para cuidar da água conseguem evitar que seus reservatórios subterrâneos sequem de duas a três vezes mais devagar. Criar regras claras, monitorar o uso e dar um preço justo à água são passos importantes.

Jay Famiglietti, hidrólogo e um dos autores do estudo, mostra um otimismo cauteloso diante do desafio:

“Quando começamos a pensar em escalas de tempo de décadas, mudanças nas políticas públicas, inovações financeiras… acho que há algum motivo para otimismo.”

O relatório conclui que um futuro onde a água é usada de forma sustentável é possível, mas vai depender de ações coordenadas e imediatas em todo o planeta.

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