Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Saúde

Contagem de Passos Revela Risco Precoce de Parkinson, Aponta Estudo

Pesquisa de Oxford indica que menos passos por dia podem ser um sinal precoce da doença de Parkinson, abrindo caminho para detecção antecipada com wearables.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
09 de dezembro, 2025 · 09:42 3 min de leitura
Imagem: New Africa/Shutterstock
Imagem: New Africa/Shutterstock

Andar menos de costume pode ser um aviso de que a doença de Parkinson está se desenvolvendo, mesmo anos antes do diagnóstico formal. É o que sugere um novo estudo, mostrando que o número de passos que uma pessoa dá por dia pode funcionar como um marcador precoce importante para identificar quem tem maior risco de desenvolver essa condição neurodegenerativa no futuro.

Publicidade

A pesquisa, conduzida por especialistas do Instituto de Big Data de Oxford e do Departamento Nuffield de Saúde Populacional, na Inglaterra, observou padrões de atividade física reduzida como um possível indicativo inicial da doença. Os resultados foram publicados na renomada revista científica npj Parkinson’s Disease.

Por que a detecção precoce é crucial?

A doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum no mundo, e sua incidência tem crescido rapidamente. Para ter uma ideia, em 2004, foram registrados 5,2 milhões de casos. Já em 2020, esse número saltou para 9,4 milhões, um aumento significativo que mostra a urgência de ferramentas de detecção antecipada.

Estudos anteriores já mostravam que pequenos sinais motores podem aparecer até uma década antes de um médico fazer o diagnóstico oficial. Essa fase é fundamental para entender melhor como a doença avança e, quem sabe, encontrar maneiras de modificar seu curso.

O que a pesquisa descobriu sobre os passos?

Publicidade

Para investigar essa conexão entre passos e Parkinson, os pesquisadores mergulharam nos dados do UK Biobank, um banco de informações que acompanha a saúde de mais de meio milhão de adultos no Reino Unido. Um grupo específico de 94.696 participantes usou acelerômetros de pulso — aparelhos que medem a movimentação — por até sete dias, entre os anos de 2013 e 2015.

Esses aparelhos registraram, de forma precisa, a contagem diária de passos de cada pessoa. A média geral foi de 9.446 passos por dia. Curiosamente, as pessoas que caminhavam mais de 12.369 passos por dia tendiam a ser mais jovens e tinham um Índice de Massa Corporal (IMC) menor.

Menos passos, maior o risco

  • Durante um período de acompanhamento de 7,9 anos, 407 participantes do estudo receberam o diagnóstico de Parkinson.
  • Os dados mostraram um padrão consistente: muito antes de serem diagnosticados, esses pacientes já apresentavam uma contagem de passos menor do que o restante da população.
  • Caminhar mais de 12.369 passos por dia foi associado a um risco 59% menor de desenvolver a doença.
  • A cada 1.000 passos adicionais dados por dia, o risco de Parkinson diminuía em 8%.

Sinal precoce, não uma causa

É importante ressaltar que os cientistas fizeram uma distinção crucial. A menor atividade física funciona mais como um sinal precoce de que a doença já pode estar em desenvolvimento, e não necessariamente como um fator que causa o Parkinson. Essa diferença é fundamental para entender a natureza da relação.

Quando os pesquisadores olharam para diferentes janelas de tempo, a ligação entre os passos e a doença era mais forte nos primeiros anos após a medição. Com o passar do tempo, essa associação perdia força, chegando a não ter mais significância estatística após seis anos. Isso reforça a ideia de que a baixa atividade é um eco da doença que está surgindo, e não algo que a provoca de antemão.

Para os especialistas, a descoberta abre uma porta importante. Monitorar a movimentação diária das pessoas por meio de celulares e outros dispositivos vestíveis, como smartwatches, pode se tornar uma ferramenta muito valiosa para identificar precocemente quem precisa de atenção e investigação para a doença de Parkinson.

Leia também