Imagine um vírus tão grande que pode ser confundido com uma bactéria. Esses são os "Gigavírus", e cientistas brasileiros acabam de fazer uma descoberta que vai mudar como o mundo os enxerga. Para ter uma ideia, enquanto o coronavírus tem cerca de 120 nanômetros, um Gigavírus pode passar de 2.500 nanômetros.
A novidade, publicada por pesquisadores da USP e da UFMG, é que uma grande família desses vírus, conhecida como Asfarviridae, na verdade não é uma coisa só. O estudo mostrou que a diversidade ali é tão grande que o grupo precisa ser dividido em pelo menos cinco famílias virais diferentes.
A principal pista para os cientistas foi a variedade de seres que esses vírus infectam. Normalmente, um tipo de vírus ataca hospedeiros muito parecidos. No entanto, os vírus desse grupo eram encontrados em criaturas totalmente distintas, como amebas e até porcos. Isso acendeu o alerta de que eles não poderiam ser tão "parentes" assim.
Para confirmar a suspeita, a equipe analisou a genética desses gigantes. Eles descobriram que, de quase 2.500 grupos de genes encontrados, apenas 37 estavam presentes em todos os vírus analisados. A conclusão foi clara: a diversidade era enorme e eles não pertenciam à mesma família.
Com a descoberta, os pesquisadores propuseram uma nova organização para a ciência. A antiga família Asfarviridae continua existindo, mas bem menor, e outras quatro novas famílias foram sugeridas: Faustoviridae, Kaumoebaviridae, Pacmanviridae e Abaloneviridae.
Essa mudança não é só um detalhe técnico. Organizar corretamente esses vírus ajuda a entender melhor sua evolução, como agem no ambiente e em seus hospedeiros. Segundo os cientistas, ainda há um universo imenso de Gigavírus a ser descoberto, com genes completamente novos aparecendo a cada pesquisa.







