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Saúde

Brasileiro da USP É Premiado na Alemanha por IA que Diagnostica Transtornos Mentais

Francisco Rodrigues, da USP, foi premiado na Alemanha por sua pesquisa inovadora que usa inteligência artificial para diagnosticar transtornos mentais com mais de 90% de acerto.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
12 de fevereiro, 2026 · 21:07 3 min de leitura
(Imagem: greenbutterfly / Shutterstock.com)
(Imagem: greenbutterfly / Shutterstock.com)

Um pesquisador brasileiro da Universidade de São Paulo (USP) está fazendo a diferença na área da saúde mental, e o reconhecimento por seu trabalho chegou lá da Alemanha. Francisco Rodrigues foi premiado por uma pesquisa inovadora que usa inteligência artificial (IA) para ajudar a diagnosticar transtornos mentais com uma precisão impressionante.

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Os estudos liderados por Rodrigues indicam que esses métodos, baseados em algoritmos, conseguem identificar condições psiquiátricas com mais de 90% de acerto. Para isso, a IA analisa exames laboratoriais como imagens de ressonância magnética (MRI) e eletroencefalogramas (EEG), buscando alterações no cérebro. Os resultados desse trabalho já foram publicados em importantes revistas científicas, como a Nature e a PLOS One.

Como a IA Transforma o Diagnóstico

Atualmente, o diagnóstico de transtornos mentais é um processo complexo. Os profissionais da saúde dependem muito da análise do histórico do paciente e de testes clínicos, porque, diferente de doenças como o diabetes, não existe um "marcador biológico" claro que aponte a condição. É aí que a pesquisa de Francisco Rodrigues entra, propondo uma verdadeira revolução.

A tecnologia desenvolvida por ele permite mapear regiões específicas do cérebro que foram afetadas e, mais importante, relacionar essas mudanças a cada transtorno. “Conseguimos identificar quais regiões foram alteradas em uma pessoa com epilepsia, autismo ou esquizofrenia, por exemplo, e entender quais alterações estão relacionadas com aquele transtorno”, explica Rodrigues.

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“Hoje com o procedimento tradicional, o psiquiatra não vai conseguir identificar se você vai desenvolver esquizofrenia daqui a dez anos, esse é o ponto”, afirma o pesquisador.

A ideia é que, no futuro, um exame cerebral possa dar um diagnóstico preciso para condições como depressão ou esquizofrenia, muito antes de os sintomas se tornarem óbvios. Isso pode ser um divisor de águas, especialmente em casos onde os sintomas são parecidos ou nas fases iniciais das doenças, onde a intervenção precoce faz toda a diferença.

Um Olhar para o Impacto Social

A necessidade de diagnósticos mais eficientes é urgente. Dados do Censo de 2022 mostram a dimensão do desafio no Brasil:

  • Pelo menos 2,4 milhões de brasileiros foram diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
  • Outros 1,6 milhão de pessoas entre 15 e 44 anos convivem com esquizofrenia.
  • E 1,7 milhão de indivíduos acima de 60 anos sofrem com algum tipo de demência, como Alzheimer e Parkinson.

Esses números reforçam a importância de ferramentas que possam auxiliar no reconhecimento e tratamento dessas condições, melhorando a qualidade de vida de milhões de pessoas.

Desafios e Próximos Passos

Apesar do avanço, a pesquisa enfrenta desafios. A coleta de dados é um deles: exames de EEG podem ter certas imprecisões, e a ressonância magnética exige que o paciente fique imóvel por mais de 40 minutos, o que limita o número de participantes. Para superar essas barreiras, Rodrigues também usa informações de exames realizados nos Estados Unidos, aumentando a base de dados para treinar e aprimorar os algoritmos.

Em janeiro deste ano, o trabalho de Francisco Rodrigues foi reconhecido com o prestigioso prêmio Friedrich Wilhelm Bessel. Concedido pela fundação alemã Alexander von Humboldt, ele é dado a cientistas estrangeiros com grande impacto em suas áreas e inclui 60 mil euros (cerca de R$ 370 mil) para a pesquisa.

A relação do pesquisador com a Alemanha não é de hoje. Formado em Física pela USP, ele mantém laços acadêmicos com o país desde 2006 e foi indicado ao prêmio pela professora Cristiane Thielemann, da Universidade de Ciências Aplicadas de Aschaffenburg, sua colaboradora de longa data.

Até o fim de 2026, Rodrigues segue para Frankfurt, na Alemanha, onde passará um ano focado em sua pesquisa. Lá, ele planeja trabalhar com dados de "minicérebros" – organoides criados a partir de células cerebrais – para expandir ainda mais o conhecimento. A expectativa é que, em cerca de dez anos, um método geral de diagnóstico automatizado esteja disponível, aguardando as devidas aprovações de órgãos reguladores como a Anvisa no Brasil.

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