O Ministério da Saúde informou nesta sexta-feira (30) que o risco relacionado ao vírus Nipah é baixo e que a doença não representa ameaça ao Brasil. Segundo a pasta, não há evidências de disseminação internacional do vírus nem indicação de risco para a população brasileira, e o posicionamento está alinhado à avaliação da Organização Mundial da Saúde (OMS). As informações constam em nota e em comunicações divulgadas ao longo do dia por veículos e canais oficiais.
De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil mantém protocolos permanentes de vigilância e resposta a agentes altamente patogênicos, em articulação com instituições de referência como o Instituto Evandro Chagas e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), além da participação da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
Casos na Índia e rastreamento de contatos
O alerta mais recente envolve dois casos confirmados na Índia, no estado de Bengala Ocidental. Segundo a OMS, os dois casos ocorreram em profissionais de saúde do mesmo hospital privado em Barasat (distrito de North 24 Parganas), com confirmação laboratorial em 13 de janeiro pelo National Institute of Virology, em Pune. A organização informa que mais de 190 contatos foram identificados e testados, todos com resultado negativo, e que não houve detecção de novos casos até o momento.
Em entrevista coletiva citada pela Agência Brasil, uma autoridade do Programa de Emergências de Saúde da OMS disse que o risco é considerado baixo em níveis nacional, regional e global, destacando que os contatos monitorados não desenvolveram sintomas nem testaram positivo.
Por que a avaliação para o Brasil é de baixo risco
O Ministério da Saúde sustenta que, além de não haver disseminação internacional, os surtos registrados ocorrem no Sudeste Asiático e estão associados a dinâmica zoonótica envolvendo morcegos frugívoros, com características ecológicas distintas das encontradas no Brasil. A pasta afirma que segue monitorando o cenário em alinhamento com organismos internacionais.
A OMS também afirma, em seu boletim de “Disease Outbreak News”, que não recomenda restrições de viagem e/ou comércio com base nas informações disponíveis até aqui.
O que é o vírus Nipah e como ocorre a transmissão
O vírus Nipah foi identificado no fim dos anos 1990 e pode causar infecções que variam de assintomáticas a quadros respiratórios e neurológicos graves (como encefalite). A OMS descreve que a transmissão pode ocorrer por contato com animais infectados, consumo de alimentos contaminados e, em alguns surtos, por contato próximo entre pessoas, especialmente por fluidos corporais e gotículas respiratórias.
A taxa de letalidade estimada em diferentes surtos varia, em geral, entre 40% e 75%, dependendo do contexto e da capacidade local de detecção e manejo clínico, segundo a OMS.
Vigilância e orientação ao público
O Ministério da Saúde reforça que mantém vigilância e articulação com instituições e organismos internacionais para acompanhamento do cenário.
Já a OMS ressalta que, na ausência de vacina licenciada ou tratamento específico, medidas de prevenção e controle incluem vigilância, rastreamento de contatos, além de práticas de prevenção e controle de infecções em serviços de saúde.







