Manter televisão, luminária ou outra fonte de claridade ligada durante o sono pode estar relacionado a maior risco de infarto e de outras doenças cardiovasculares. A associação foi apresentada em pesquisa publicada no começo de setembro de 2026 pela revista European Heart Journal.
O trabalho avaliou 11.071 pessoas submetidas a exames de ressonância magnética do coração. No grupo mais exposto à iluminação noturna, os pesquisadores identificaram maior massa no ventrículo esquerdo e indícios de pior desempenho cardíaco.
Outra análise reuniu 73.286 participantes acompanhados por um período de 8 a 10 anos. Nesse grupo, a exposição mais intensa à luz durante a noite apareceu associada a aumentos de 29% no risco de insuficiência cardíaca, 24% no de infarto, 15% no de fibrilação atrial e 33% no de AVC.
O cardiologista Maurício Barreto, do Hospital Fundação Bahiana de Cardiologia e Combate ao Câncer (HFBCCC), ressalta que os resultados mostram uma associação, e não uma prova de causa direta. "Não podemos interpretar esse estudo como se dormir uma noite com a luz acesa fosse provocar um infarto. O que a ciência está mostrando é uma associação entre a exposição habitual à luz durante a noite e um maior risco de problemas cardiovasculares. Nosso organismo possui um relógio biológico, chamado ritmo circadiano, que é regulado, entre outros fatores, pelo ciclo natural entre claro e escuro. Quando esse ciclo é repetidamente perturbado, podem ocorrer alterações no sono e em mecanismos biológicos relacionados à saúde cardiovascular", afirma.
A pesquisa também apontou que parte da relação estatística com os problemas cardiovasculares passou pela menor duração do sono. Esse resultado não permite concluir que a luz noturna, sozinha, provoque diretamente as doenças.
A publicação ocorre no mês em que é celebrado o Dia Mundial do Coração, em 29 de setembro. Na Bahia, doenças do aparelho circulatório causaram 22,6 mil mortes em 2025, conforme dados atribuídos à Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB). O grupo foi apontado como a principal causa de morte entre as quatro categorias de doenças crônicas não transmissíveis no estado naquele ano.
Para reduzir a exposição, o médico orienta deixar o quarto escuro quando possível e manter horários regulares de sono. Ele também cita atividade física, alimentação saudável, não fumar e acompanhamento da pressão, do colesterol e da glicemia como medidas de prevenção cardiovascular.







