Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Saúde

Bahia lidera participação no Enamed, mas cursos preocupam ABM

A Bahia liderou o número de participantes no Enamed, com 2.688 estudantes, apesar de 12 cursos de Medicina ficarem abaixo da média. ABM defende mudanças e exame de proficiência.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
24 de janeiro, 2026 · 03:03 3 min de leitura
Foto: Leonardo Rattes / Saúde GovBA
Foto: Leonardo Rattes / Saúde GovBA

A Bahia se destacou por ter o maior número de estudantes participando do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) em toda a região Nordeste. No entanto, este alto volume vem acompanhado de um alerta: 12 cursos de Medicina no estado ficaram abaixo da média na avaliação. A Associação Baiana de Medicina (ABM) já defende mudanças urgentes para garantir a qualidade dos futuros profissionais.

Publicidade

Ao todo, 2.688 estudantes de Medicina baianos fizeram a prova, distribuídos em 22 instituições de ensino. Desse total, a capital Salvador concentrou 1.193 inscritos, enquanto 1.495 vieram de cidades do interior do estado. A Universidade Salvador (Unifacs) foi a instituição com mais participantes, somando 355 alunos. Em seguida, vieram o Centro Universitário Zarns - Salvador (319), a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP) com 291, a Universidade Federal da Bahia (UFBA) com 164 e a Universidade do Estado da Bahia (UNEB) com 64 inscritos.

No interior, cidades como Vitória da Conquista, na Bahia, teve 220 participantes, divididos entre Afya (149), Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) com 38, e UFBA com 33. Outras localidades também registraram um bom volume de alunos no Enamed, como Juazeiro (195 inscritos na Faculdade Estácio), Barreiras (142 inscritos, com Uninassau e UFOB), Lauro de Freitas (141 na UNIME) e Itabuna (116 na Afya).

Chama a atenção a diferença na participação entre instituições de ensino privadas e públicas. As faculdades privadas tiveram um número bem maior de inscritos no exame de Medicina, somando 2.065 alunos. Já as instituições públicas (federais e estaduais) registraram 623 participantes. Isso significa que o volume de alunos de faculdades particulares foi mais de três vezes superior ao das públicas. Apesar disso, as universidades públicas geralmente apresentaram as melhores notas, enquanto as particulares mostraram uma variação maior, com muitos conceitos intermediários e baixos. Um exemplo foi a UFRB, em Santo Antônio de Jesus, que alcançou o Conceito 3, enquanto a UFSB, em Teixeira de Freitas, foi a única pública com desempenho abaixo da média, recebendo Conceito 2.

ABM alerta para riscos de formação inadequada

Publicidade

“O teste pôde demonstrar algo que já era esperado por todos: que pelo crescimento desordenado da faculdade de medicina, com muitas faculdades sem campos de prática, sem hospitais, sem ambulatórios, a formação seria inadequada.”

O diretor da Associação Baiana de Medicina (ABM), Hélio Braga, expressou preocupação com os dados. Ele alertou para os perigos que médicos com formação insuficiente podem trazer, como diagnósticos errados ou atrasados e pedidos de exames que não são necessários. Isso, segundo ele, gera um grande desperdício de dinheiro nos sistemas de saúde público e privado.

A ABM, reconhecendo sua responsabilidade na educação médica, tem investido em ações para qualificar os profissionais. Braga explicou que a associação promove cursos de atualização, reciclagem e congressos para aprimorar a formação dos médicos que já estão no mercado e daqueles que estão se formando.

Uma das principais reivindicações da ABM é a criação de um exame de proficiência para médicos. Essa proposta, já discutida no Senado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), busca garantir que apenas profissionais realmente qualificados possam exercer a profissão. O objetivo é proteger a população de erros médicos e, ao mesmo tempo, contribuir para a redução de custos desnecessários na área da saúde.

“É algo que a gente vem tentando há muitos anos fazer esse teste de proficiência, mas muitas universidades que tinham formação inadequada tinham receio de que se houvesse esse teste, fosse publicizado a formação inadequada que eles têm.”

Hélio Braga reforçou que as principais entidades médicas do país, como o CFM, a Associação Médica Brasileira (AMB) e os Sindicatos dos Médicos, estão unidas nessa luta pelo teste de proficiência. Ele também revelou que a ABM pretende se aproximar das ligas estudantis de Medicina para incentivar eventos científicos. A ideia é suprir uma carência em algumas faculdades, onde mais da metade dos professores não são médicos. A Associação planeja oferecer cursos com profissionais bem qualificados para preencher essa lacuna.

Leia também