A Prefeitura de Salvador emitiu um alerta epidemiológico após a confirmação de um caso de raiva em um filhote de cachorro na capital baiana, encerrando um período de duas décadas sem registros da doença em cães e gatos no município. O caso foi confirmado pelo Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (Lacen-BA) no fim de novembro, segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e do Conselho Regional de Medicina Veterinária da Bahia (CRMV-BA).
Caso foi identificado em filhote resgatado em Sussuarana
O animal, um filhote de menos de três meses de vida, vivia em uma residência no bairro de Sussuarana, em Salvador. De acordo com a SMS, o cão foi adotado após ser encontrado na rua e morreu em 20 de novembro. A análise laboratorial que detectou o vírus rábico canino (AgV1/AgV2) foi concluída dias depois no Lacen-BA.
Informações divulgadas pela SMS indicam que o filhote provavelmente teve contato prévio com animais silvestres antes da adoção. O Ministério da Saúde não recomenda a aplicação da vacina antirrábica em cães e gatos com menos de três meses de idade, faixa etária na qual o animal se encontrava.
As pessoas que tiveram contato com o cachorro estão sendo identificadas e acompanhadas pelos serviços de saúde do município, com avaliação para necessidade de profilaxia antirrábica humana .
Prefeitura faz bloqueio vacinal e reforça vigilância em bairros afetados
Após a confirmação do caso, a Prefeitura de Salvador iniciou uma série de ações de controle na região onde o animal circulou. Entre as medidas adotadas estão:
bloqueio vacinal de cães e gatos nas áreas de Sussuarana e entorno;
busca ativa de pessoas e animais que tiveram contato direto ou indireto com o filhote, com encaminhamento para profilaxia pós-exposição em humanos, quando indicada;
visitas domiciliares realizadas por médicos-veterinários e agentes de combate às endemias;
monitoramento de sinais clínicos em animais da área e investigação epidemiológica em parceria com a vigilância estadual e o Ministério da Saúde.
De acordo com a SMS, as unidades de saúde, equipes de vigilância e serviços que atuam diretamente com animais foram formalmente comunicados por meio de alerta epidemiológico sobre o caso e os protocolos a serem seguidos.
Dois cavalos também testaram positivo para raiva em 2025
Além do caso em cachorro, o CRMV-BA informou que dois cavalos também tiveram diagnóstico confirmado para raiva em Salvador em 2025. Os animais foram registrados no bairro de Mussurunga, em episódios distintos: o primeiro em janeiro e o segundo em novembro, ambos com laudos positivos emitidos pelo Lacen-BA.
O Conselho relatou ainda a existência de outros casos suspeitos na mesma área, em que proprietários descartaram os restos mortais dos animais sem comunicar a vigilância sanitária, o que impediu a confirmação laboratorial e o rastreamento completo das cadeias de transmissão.
Doença tem letalidade próxima de 100% após início dos sintomas
A raiva é uma zoonose viral com letalidade próxima de 100% em humanos e animais após o aparecimento dos sinais clínicos. A transmissão ocorre, principalmente, por meio da saliva de animais infectados, por mordidas, arranhões ou contato da saliva com mucosas e feridas na pele.
Autoridades de saúde reforçam que a principal forma de prevenção é manter a vacinação antirrábica anual de cães e gatos a partir dos três meses de idade. Em diversas notas e entrevistas, a SMS de Salvador orientou que a população evite o contato com morcegos, raposas, saguis e outros animais silvestres — vivos ou mortos — e acione o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) ao identificar esses animais em domicílios ou áreas urbanas.
Profissionais que trabalham diretamente com animais, como veterinários e tratadores, são orientados a manter o esquema de profilaxia pré-exposição atualizado, conforme classificação de risco para a função exercida.
Orientações em casos de mordidas, arranhões ou contato com animais suspeitos
Em situação de risco, como mordidas, arranhões ou contato com saliva de animais suspeitos, a recomendação é procurar imediatamente um serviço de saúde para avaliação da necessidade de profilaxia antirrábica, que pode incluir limpeza rigorosa da ferida, vacina e, em alguns casos, soro antirrábico.
A população também é orientada a não tocar em morcegos caídos, mortos ou com comportamento atípico, devendo acionar a vigilância municipal ou o CCZ para que a captura e a análise do animal sejam feitos por equipes treinadas. Já animais domésticos que apresentarem agressividade súbita, mudança de comportamento, salivação excessiva ou dificuldade de locomoção devem ser avaliados por médico-veterinário, com notificação às autoridades de saúde sempre que houver suspeita de raiva.







