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Saúde

Anvisa alerta para riscos do uso indevido de canetas emagrecedoras

A Anvisa emitiu um alerta grave sobre o uso de 'canetas emagrecedoras' sem acompanhamento médico. Casos de pancreatite crescem e reforçam a necessidade de cuidado.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
09 de fevereiro, 2026 · 19:35 3 min de leitura
(Imagem: MillaF/Shutterstock)
(Imagem: MillaF/Shutterstock)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acendeu um sinal de alerta sobre o uso sem orientação médica de medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”. Esses remédios, originalmente desenvolvidos para tratar diabetes e obesidade, têm sido utilizados de forma inadequada, o que tem levado a um aumento preocupante de problemas de saúde, especialmente a pancreatite.

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O foco da preocupação da Anvisa está nos medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1. Nomes como Ozempic, Wegovy, Saxenda e Mounjaro, que contêm princípios ativos como semaglutida, liraglutida, tirzepatida e dulaglutida, são os alvos desse alerta. Embora a pancreatite já seja uma reação adversa conhecida desses produtos, o número crescente de casos registrados motivou a agência a fazer o chamado público.

Aumento de casos graves no Brasil e no mundo

No Brasil, a situação é grave: seis mortes por pancreatite estão sob investigação e já foram feitas mais de 200 notificações de problemas pancreáticos em pessoas que usaram esses medicamentos. A preocupação se estende além das fronteiras brasileiras, com o Reino Unido também emitindo um alerta.

Entre 2007 e outubro de 2025, a agência reguladora britânica registrou 1.296 notificações de pancreatite ligadas ao uso dessas canetas, incluindo 19 mortes. Apesar de serem considerados raros, esses casos podem ser extremamente sérios, chegando a quadros como pancreatite necrosante e fatal.

A Anvisa esclarece que o alerta não muda a avaliação geral de que esses medicamentos são benéficos. Pelo contrário, quando usados corretamente, seguindo as indicações aprovadas nas bulas, os benefícios à saúde ainda superam os riscos. Existem algumas poucas exceções para outros usos, como a semaglutida para diminuir o risco de problemas cardiovasculares ou a tirzepatida no tratamento da apneia.

Riscos do uso sem orientação

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O grande problema surge quando as “canetas emagrecedoras” são usadas para emagrecimento rápido ou apenas por motivos estéticos, sem que haja uma necessidade clínica real e, o mais importante, sem a devida prescrição e acompanhamento médico. Nessas situações, o risco de efeitos adversos graves aumenta muito. Além disso, o uso indiscriminado pode atrasar o diagnóstico de complicações sérias, como a pancreatite, que exige atenção imediata.

O que fazer em caso de suspeita?

Diante desse cenário, a Anvisa faz um apelo importante:

  • Se houver suspeita de pancreatite, o tratamento com a medicação deve ser interrompido imediatamente.
  • Caso o diagnóstico seja confirmado, o uso não deve ser retomado.
  • Procure atendimento médico urgente se apresentar sintomas como dor abdominal intensa e persistente, que pode se espalhar para as costas, acompanhada de náuseas e vômitos.

Para tentar controlar o uso indevido, a Anvisa já tomou medidas. Em junho de 2025, determinou que farmácias e drogarias passem a reter as receitas médicas desses medicamentos. O objetivo é justamente evitar que eles sejam comprados e usados fora das indicações aprovadas, protegendo a saúde da população.

A agência também orienta os profissionais de saúde a suspenderem o tratamento imediatamente se suspeitarem de pancreatite e a notificarem os casos no sistema VigiMed. Esse monitoramento é fundamental, principalmente porque essa classe de medicamentos está disponível no mercado brasileiro há pouco mais de cinco anos, e a vigilância constante é essencial para garantir a segurança dos pacientes.

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