A venda dos ativos da Bahia Mineração (Bamin) está prestes a mudar o cenário econômico do estado, colocando em jogo muito mais do que apenas minério de ferro. A negociação, que envolve a empresa portuguesa Mota-Engil, traz no rastro o interesse chinês em uma das maiores riquezas do subsolo baiano: o urânio.
O grupo chinês CCCC, que possui uma fatia importante da Mota-Engil, está de olho na região de Caetité. Além de assumir a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) e o porto em Ilhéus, o movimento estratégico visa a proximidade com a única mina de urânio em operação no Brasil.
As reservas de urânio em Caetité são gigantescas, estimadas em 90 mil toneladas. Esse volume seria suficiente para manter uma usina nuclear do tamanho de Angra 2 funcionando por mais de 700 anos, o que desperta o apetite de investidores internacionais pela tecnologia e energia nuclear.
Atualmente, a exploração de urânio é um monopólio da União, mas a lei mudou recentemente. Desde 2022, empresas privadas podem se associar às Indústrias Nucleares do Brasil (INB) para explorar o minério, abrindo as portas para essa parceria com os novos donos da Bamin.
A transação marca a saída do grupo Eurasian Resources e a entrada definitiva de capital que pode acelerar as obras de infraestrutura na Bahia. Se o negócio for fechado, a logística do estado passará a ser controlada por quem detém o acesso ao combustível nuclear brasileiro.







