Depois de 25 longos anos de negociações, um acordo histórico foi finalmente assinado entre o Mercosul e a União Europeia neste sábado (17). A cidade de Assunção, no Paraguai, foi o palco para a formalização do que promete ser a maior área de livre comércio do mundo.
Imagine a força de uma parceria que junta nada menos que 720 milhões de pessoas! É um gigante econômico que movimenta um Produto Interno Bruto (PIB) de impressionantes US$ 22 trilhões, o que, em nossa moeda, daria cerca de R$ 118 trilhões. Para ter uma ideia, isso representa por volta de 20% de toda a riqueza gerada no planeta.
Mas esse acordo vai além dos números. Ele surge como um passo estratégico importante para diminuir a dependência de potências como os Estados Unidos e a China, especialmente num momento em que o isolacionismo global parece crescer.
O que muda na prática com o acordo?
Na prática, a grande novidade é que mais de 90% do comércio entre os dois blocos não terá mais as barreiras dos impostos. Sabe o que isso significa? Produtos europeus, como máquinas modernas, carros e até remédios, devem chegar aqui no Brasil com preços mais acessíveis, por terem menos encargos. Em contrapartida, países do Mercosul, incluindo o nosso, terão uma porta de entrada privilegiada para vender itens essenciais, como carne e soja, para os consumidores na Europa.
Essa movimentação ganha ainda mais relevância diante de políticas protecionistas recentes pelo mundo, como as tarifas impostas pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump. Para garantir que tudo desse certo, a União Europeia incluiu algumas cláusulas de segurança. A ideia é proteger seus próprios agricultores, que naturalmente ficam preocupados com a forte concorrência dos produtos sul-americanos, buscando um equilíbrio no mercado interno europeu.
Próximos passos e a cerimônia
Apesar da festa e do simbolismo da cerimônia no Grande Teatro José Asunción Flores, dentro do Banco Central do Paraguai, o caminho para o acordo entrar em vigor ainda não acabou. Ele precisa ser aprovado pelos parlamentos de cada país envolvido. Ou seja, ainda há um processo político pela frente.
Entre os presentes na assinatura estava o presidente da Argentina, Javier Milei. O Brasil foi representado pelo ministro Mauro Vieira, já que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de uma reunião particular com líderes da União Europeia na véspera, na sexta-feira (16).
Este pacto representa um novo capítulo nas relações comerciais globais e pode redefinir a dinâmica econômica entre continentes.







