O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), veio a público nesta quinta-feira (12) para esclarecer os pagamentos recebidos pela empresa Maridt, da qual é sócio. Toffoli fez questão de negar qualquer tipo de relação, seja pessoal ou financeira, com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A nota foi divulgada pelo gabinete do ministro no STF.
As explicações de Toffoli surgem depois que a jornalista Monica Bergamo, da Folha de S.Paulo, revelou na noite de quarta-feira (11) que o ministro do STF teria recebido dinheiro da Maridt. A empresa, por sua vez, vendeu sua participação no resort Tayayá em 2021 para um fundo que tem ligação com os negócios de Daniel Vorcaro. Conversas sobre essa transação foram encontradas pela Polícia Federal (PF) durante a perícia no celular do dono do Banco Master e de outros envolvidos nas investigações.
Entenda a empresa Maridt e as operações financeiras
Segundo a nota do gabinete de Dias Toffoli, a Maridt é uma empresa familiar, organizada como sociedade anônima de capital fechado. Ela está devidamente registrada na Junta Comercial e entrega regularmente suas declarações à Receita Federal. O gabinete ressalta que todas as declarações da Maridt e de seus acionistas sempre foram aprovadas pelas autoridades fiscais.
Toffoli é parte do quadro societário da empresa, mas quem cuida da administração são seus parentes. O comunicado explica que essa condição é permitida pela Lei Orgânica da Magistratura (Loman), que proíbe apenas que magistrados exerçam atos de gestão. Portanto, ser sócio sem administrar está dentro da legalidade.
A Maridt, segundo o gabinete, fez parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A saída da empresa foi concluída através de duas operações: a venda de cotas para o Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a venda do saldo que restava para a PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025. Todas essas movimentações, de acordo com o gabinete, foram declaradas à Receita Federal e aconteceram “dentro do valor de mercado”.
PF investiga e STF é notificado
Um relatório da Polícia Federal, entregue ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, reúne mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel. Nessas conversas, os dois discutem transferências financeiras relacionadas à empresa Maridt. O ministro Fachin compartilhou o conteúdo desse documento com outros ministros do STF.
A PF entende que Dias Toffoli poderia ser considerado suspeito para continuar relator do processo que envolve o Banco Master, grupo ligado a Vorcaro. Diante disso, o ministro Edson Fachin já notificou Toffoli, pedindo que ele apresente explicações sobre os fatos mencionados no relatório.
O gabinete de Toffoli ainda destacou que a ação referente à tentativa de compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao ministro em 28 de novembro de 2025. Essa data é bem depois que a Maridt já não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro, o que, para a defesa, afastaria qualquer conflito de interesse no processo.







