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Política

No interior do Brasil, campanha já tomou as ruas meses antes do prazo — e ninguém parece se importar

Comícios, distribuição de dinheiro e cabo eleitoral aberto: enquanto Lula e Bolsonaro brigam na Justiça por propaganda antecipada, o interior vive o salve-se quem puder

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
18 de maio, 2026 · 10:49 3 min de leitura
Comício político em praça pública no interior do Brasil antes do período oficial de campanha eleitoral
Comício político em praça pública no interior do Brasil antes do período oficial de campanha eleitoral

A propaganda eleitoral só está autorizada no Brasil a partir de 16 de agosto de 2026. Mas em muitos municípios do interior, especialmente no Nordeste, quem olha para a rua tem a impressão de que a eleição já acontece há semanas. Comícios, carreatas, distribuição de dinheiro e candidatos desfilando pelo interior como se o calendário eleitoral simplesmente não existisse.

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A situação foi registrada com detalhes pelo portal Cada Minuto, de Alagoas, que descreveu um cenário de anomia eleitoral: candidatos fazem campanha abertamente, inclusive com atos que lembram compra de votos, e a fiscalização responde com um sorriso — como se todos fossem velhos conhecidos.

O contraste com o cenário nacional é gritante. Em Alagoas, bastou que pré-candidatos se desincompatibilizassem dos cargos no início de abril para que a disputa fosse deflagrada informalmente. O interior virou palco eleitoral, com a pré-campanha se transformando em campanha propriamente dita, num clima descrito como "de vale tudo", incluindo negociação de cargos públicos e dinheiro.

Enquanto isso, no plano nacional, a Justiça Eleitoral e o Ministério Público debatem os limites da pré-campanha. O TSE reforça que permanece proibido o pedido explícito de voto e qualquer forma de propaganda eleitoral antecipada. A legislação permite atos de pré-campanha, mas veda manifestações que caracterizem campanha eleitoral fora do período autorizado oficialmente.

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As punições existem no papel. A lei prevê multa de R$ 5 mil a R$ 25 mil, ou ao equivalente ao custo da propaganda, para o responsável por material que viole as normas e para o beneficiário, se comprovado o seu prévio conhecimento. Casos concretos mostram que as punições acontecem quando há denúncia formal. Nas eleições de 2024, um pré-candidato a prefeito no Ceará foi condenado por propaganda eleitoral antecipada ao realizar uma carreata antes do início oficial da campanha, sendo multado em R$ 5 mil.

Mas a realidade do interior é outra. A distribuição de dinheiro, quando documentada, configura crime eleitoral. É vedada a distribuição de brindes, doações, cestas básicas, materiais de construção, ou qualquer vantagem ao eleitor, independentemente do valor. Ainda assim, registros em redes sociais e na imprensa regional mostram que a prática persiste sem que qualquer providência seja tomada pelos órgãos competentes.

O fenômeno não é exclusivo de Alagoas. Em Rondônia, o cenário político já vive clima de campanha antecipada, com pré-candidaturas ao governo estadual protagonizando disputas públicas e forte engajamento nas redes sociais. A diferença é que, no interior mais distante dos centros, a campanha não fica apenas nas redes — ela desce para as praças e ruas dos pequenos municípios.

O calendário oficial do TSE estabelece que as convenções partidárias ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto, os pedidos de registro de candidatura devem ser apresentados até 15 de agosto, e a propaganda eleitoral nas ruas e na internet só começa oficialmente em 16 de agosto. São três meses de distância da data em que candidatos já estão nas ruas, microfone na mão.

O eleitor, no fim, é quem fica sem saída. Assiste à campanha antecipada sem poder denunciar com facilidade, vê o dinheiro circulando sem rumo e percebe que a lei eleitoral, no interior, tem pesos e medidas diferentes. Quem sente a pancada, como registrou o noticiário alagoano, é exatamente quem deveria ser protegido por ela.

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