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Política

MP-BA Processa Claudia Leitte por Alterar Letra de Música e Pede R$ 2 Milhões

MP-BA processa cantora Claudia Leitte pedindo R$ 2 milhões por dano moral coletivo, alegando discriminação religiosa após mudar letra de música.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
19 de dezembro, 2025 · 09:41 2 min de leitura
Foto: Reprodução / Instagram
Foto: Reprodução / Instagram

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) entrou com uma ação na Justiça contra a cantora Claudia Leitte, pedindo que ela pague R$ 2 milhões por dano moral coletivo. A razão? Uma acusação de discriminação religiosa, que surgiu depois que a artista mudou um trecho da música “Caranguejo” em 2024.

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De acordo com o MP-BA, a cantora teria trocado a frase “saudando a rainha Iemanjá” por “eu canto meu rei Yeshua”. Yeshua é o nome hebraico para Jesus. A música em questão, “Caranguejo”, é conhecida por suas referências à cultura popular e, neste contexto, à divindade das religiões de matriz africana.

A ialorixá Jaciara Ribeiro e o Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro) foram os primeiros a se manifestar, apresentando uma queixa formal que motivou a ação do MP-BA. Eles foram representados pelo advogado Hédio Silva Jr.

Iemanjá é uma das orixás mais reverenciadas nas religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda, sendo sincretizada por muitos com Nossa Senhora dos Navegantes ou Nossa Senhora da Conceição. Para seus seguidores, a saudação à "Rainha do Mar" é um ato de fé e reconhecimento de sua força e importância cultural e espiritual. A alteração de um verso que a celebra é vista, portanto, como uma afronta à liberdade religiosa e à identidade dessas comunidades.

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Os promotores de Justiça Lívia Vaz, da Promotoria de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, e Alan Cedraz Carneiro Santiago, coordenador do Núcleo de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Nudephac), são os responsáveis pela ação. Eles argumentam que a mudança na letra desvaloriza as referências religiosas de matriz africana e configura um ato discriminatório.

O que o MP-BA pede na ação?

  • Que Claudia Leitte pague R$ 2 milhões por dano moral coletivo. Esse valor, se concedido, seria destinado ao Fundo Estadual de Defesa dos Direitos Difusos ou a grupos que representam as religiões de matriz africana, fortalecendo iniciativas de combate à intolerância.
  • Que a cantora faça uma retratação pública, reconhecendo o impacto de suas ações na comunidade religiosa.
  • Que ela pare de praticar qualquer tipo de discriminação religiosa, seja de forma direta ou indireta, em suas apresentações, entrevistas, produções artísticas ou redes sociais. Isso inclui, especialmente, atos que diminuam, alterem ou desvalorizem referências religiosas afro-brasileiras.

No documento, o Ministério Público também levanta a hipótese de que a alteração na música pode estar ligada à conversão religiosa da cantora. A ação menciona que Claudia Leitte teria se filiado a "denominações neopentecostais cuja tônica discursiva se assenta na conhecida desqualificação, difamação e satanização das religiões afro-brasileiras". Tal associação, conforme o MP, reforça a gravidade do ato praticado pela artista.

Essa controvérsia reacende o debate sobre o respeito à diversidade religiosa no Brasil e a importância de preservar as manifestações culturais e espirituais de todos os credos. O caso promete ser um marco na discussão sobre liberdade de expressão artística versus respeito às identidades religiosas.

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