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Política

Lewandowski Pede 'Peneira' Contra Criminosos em Partidos na CPI

Ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, pediu a partidos políticos que barrem candidatos ligados ao crime organizado e criticou falta de verba para segurança.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
09 de dezembro, 2025 · 21:27 3 min de leitura
Foto: Lula Marques/ Agência Brasil
Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, fez um pedido importante aos líderes dos partidos políticos do Brasil. Ele quer que as legendas façam uma "peneira" bem rigorosa para evitar que pessoas ligadas a facções criminosas se candidatem a cargos públicos. Essa declaração foi feita durante a participação do ministro em uma audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado, em Brasília, que investiga as falhas estruturais que ajudam as facções a crescer.

"Triagem" nos Partidos: Uma Barreira Contra o Crime

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Para Lewandowski, combater o crime não pode ser só prender e reprimir. É preciso agir antes, preventivamente. Ele foi bem claro sobre a responsabilidade dos partidos:

"Já fiz um apelo aos presidentes dos partidos. Só uma atitude repressiva não é suficiente, os presidente de partidos políticos têm a obrigação de fazer a triagem."

O ministro explicou que a expansão do crime organizado é um fenômeno novo e global, que está se infiltrando até na política. Ele lembrou que, nas últimas eleições, o Ministério da Justiça e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já trabalharam juntos para tentar barrar essa entrada de criminosos no processo eleitoral, principalmente nas cidades.

Fronteiras e o Desafio da Verba

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Durante a audiência, Lewandowski também foi perguntado sobre um grande problema: a fiscalização das nossas fronteiras, que muitas vezes facilita a entrada de drogas e armas no país. Para ele, a falta de dinheiro é o principal motivo para as dificuldades enfrentadas:

"A resposta para essa questão é: Me perdoem o modo mais incisivo de colocar é dinheiro, dinheiro e mais dinheiro. Não se faz segurança pública sem dinheiro."

Ele fez uma crítica direta à forma como o Governo Federal tem lidado com o orçamento destinado à segurança pública.

Proposta de Senador para Financiamento

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que é o relator da CPI, quis saber de Lewandowski quanto dinheiro seria preciso para realmente mudar o cenário e combater o crime de forma eficaz. O senador citou uma ideia dele: criar um novo imposto sobre as casas de apostas (as famosas "bets"). A estimativa é que esse imposto poderia gerar até 30 bilhões de reais por ano, um dinheiro que seria usado para melhorar a inteligência, os presídios federais e a integração das forças de segurança.

Lewandowski disse que não tem um valor exato de orçamento, mas gostou muito da ideia de taxar as casas de apostas. Essa medida faz parte do "Projeto Antifacção", de autoria do senador Vieira, que busca criar leis mais fortes para combater as organizações criminosas. O projeto ainda precisa ser votado no Senado.

Infiltração Financeira do Crime Organizado

A participação do ministro acontece uma semana depois de outro depoimento importante na CPI. O promotor Lincoln Gakiya, especialista no combate ao PCC (Primeiro Comando da Capital), detalhou como os grupos criminosos aproveitam as brechas nas leis para criar empresas de tecnologia financeira, as "fintechs". Com isso, eles conseguem operar dinheiro dentro do sistema financeiro sem a fiscalização adequada do Banco Central ou sem avisar ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o que dificulta o rastreamento do dinheiro sujo.

A CPI do Crime Organizado continua buscando soluções e discutindo formas de fechar as portas para a atuação das facções, seja na política, nas finanças ou nas fronteiras, com o objetivo de fortalecer a segurança pública em todo o Brasil.

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