O Tribunal de Contas do Estado de Alagoas (TCE-AL) vive um período de tensão interna desde que o conselheiro Bruno Toledo assumiu a presidência da corte. Segundo informações divulgadas pelo portal Cada Minuto, a nova gestão tem promovido uma sequência de exonerações que deixou servidores comissionados em estado de alerta — alguns deles com mais de dez anos de casa.
O movimento chegou a áreas consideradas essenciais para o funcionamento do órgão, ampliando o clima de desconfiança nos corredores do chamado Palácio de Vidro, na Avenida Fernandes Lima, em Maceió. O sentimento predominante entre servidores, ainda conforme a publicação, é de que as vagas estariam sendo ocupadas por cabos eleitorais — o que levanta a questão: cabos eleitorais de quem, se Bruno Toledo não é candidato a nenhum cargo?
Bruno Toledo foi eleito, por unanimidade, presidente do TCE-AL durante sessão plenária realizada em junho deste ano, com mandato que se estende até dezembro de 2026, concluindo o biênio 2025-2026. A escolha se deu de forma consensual entre os membros do Pleno.
Toledo chegou ao tribunal depois de ser eleito conselheiro pela Assembleia Legislativa de Alagoas, assumindo a vaga aberta com a aposentadoria voluntária do conselheiro Fernando Toledo — seu próprio pai. Antes disso, Bruno Toledo acumulou ampla experiência na vida pública: foi deputado estadual por três mandatos consecutivos e exerceu o cargo de vice-presidente da Assembleia Legislativa.
A chegada ao cargo mais alto do tribunal foi acompanhada de discurso institucional. Ao ser eleito presidente, Toledo agradeceu a confiança dos colegas e afirmou ter o compromisso de fortalecer a atuação institucional do TCE-AL, declarando que o objetivo é "aproximar o Tribunal cada vez mais dos jurisdicionados, consequentemente de toda a sociedade". Na prática, porém, o que se vê dentro do órgão, segundo relatos apurados pelo Cada Minuto, é outro cenário.
Além das exonerações, a reportagem original aponta que Toledo também promoveu pequenas reformas no próprio gabinete desde que assumiu a presidência. O conjunto das ações tem sido suficiente para gerar apreensão entre quem permanece no quadro — e dúvidas sobre os critérios que definem quem fica e quem sai.
A situação repercute num tribunal que é peça central do controle público em Alagoas. O TCE-AL tem entre suas funções fiscalizar o uso dos recursos públicos nos municípios alagoanos — o que inclui cidades da região do São Francisco, como Paulo Afonso, Delmiro Gouveia e Piranhas. Qualquer desequilíbrio na estrutura interna do órgão interessa diretamente a quem depende dessa fiscalização.
Até a publicação desta reportagem, a assessoria do TCE-AL não se manifestou sobre as exonerações ou sobre os critérios adotados pela nova presidência na composição de seu quadro de pessoal.







