A Europa está em pé de guerra contra as grandes empresas de tecnologia, as chamadas Big Techs. A pressão aumenta, principalmente, para proteger crianças e adolescentes da sexualização e da pornografia infantil, um problema que tem crescido com o uso da inteligência artificial. Recentemente, a Espanha deu um passo importante e pediu que promotores investiguem os donos do Facebook, X (antigo Twitter) e TikTok, por supostamente espalharem pornografia infantil feita por inteligência artificial.
Essa movimentação faz parte de um cenário maior, onde vários países da União Europeia, como Espanha e Irlanda, estão unindo forças. Eles querem garantir que as redes sociais não sejam um terreno fértil para conteúdos prejudiciais aos mais jovens. A população também cobra por essas ações, preocupada com o impacto negativo das plataformas na vida dos adolescentes, que incluem desde vício até a queda no desempenho escolar e a exposição a conteúdo sexual online.
Além da Espanha, que apura a atuação de empresas como Facebook, X e TikTok, a Irlanda também abriu uma investigação formal. Lá, o foco é a inteligência artificial Grok, do X, para saber como ela processa dados pessoais e se produz imagens de conteúdo sexual. Outros países, como França, Grécia, Dinamarca, Eslovênia e República Tcheca, estão seguindo exemplos como o da Austrália, que já proibiu adolescentes de acessarem redes sociais, e do Reino Unido, que trabalha para manter os jovens longe dessas plataformas e de chatbots de IA.
Tensões Geopolíticas e Novas Leis
Essa briga não é só local. Ela provoca uma tensão política com os Estados Unidos, país de origem de muitas dessas gigantes da tecnologia. Em 2024, entrou em vigor na União Europeia a Lei de Serviços Digitais, que prevê multas pesadas – até 6% do faturamento anual global – para empresas que não barrarem conteúdos ilegais ou prejudiciais. Essa medida é uma forma de obrigar as Big Techs a agirem, mas pode gerar conflitos diplomáticos.
Um exemplo claro dessa tensão foi o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que já ameaçou impor tarifas e sanções à União Europeia caso as empresas americanas fossem prejudicadas por novos impostos. O ministro espanhol dos Direitos do Consumidor, Pablo Bustinduy, deixou claro o desejo de seu país de se “libertar da dependência digital dos Estados Unidos”. O presidente francês, Emmanuel Macron, chegou a chamar a resistência dos EUA de uma “batalha geopolítica”.
Na Espanha, o estopim para as investigações e a discussão sobre uma possível proibição de redes sociais para menores de 16 anos foi a polêmica com o Grok, onde a IA teria gerado imagens sexuais de menores sem consentimento, segundo a ministra da Juventude e Crianças, Sira Rego. Já na França, o ponto de virada foi a preocupação de Macron com a forma como as redes sociais alimentam a violência entre jovens, ligando-a a um triste acontecimento envolvendo um estudante que esfaqueou fatalmente um funcionário da escola.
O cerco contra as Big Techs está se fechando, e o número de aliados dessas empresas diminui na Europa. Mesmo com as investigações em andamento e a discussão sobre leis que responsabilizam até os CEOs por discursos de ódio, ainda não há previsão de quando essas ações serão concluídas ou quando as novas regulamentações entrarão em vigor.







