A política em Brasília teve um dia histórico. A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) foi eleita a nova presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara. É a primeira vez que uma mulher transexual assume o comando do grupo, que é um dos mais importantes na discussão de leis para proteger as brasileiras.
Mas a vitória não veio fácil. Deputados do partido PL, do ex-presidente Bolsonaro, fizeram de tudo para barrar a eleição. O líder do partido, Sóstentes Cavalcante, chegou a dizer que o cargo deveria ser apenas para quem é "mulher biologicamente", gerando protestos de outros parlamentares.
Por causa da confusão e da manobra dos opositores, a votação precisou acontecer duas vezes. Na primeira, Erika não conseguiu os votos necessários porque muitos deputados votaram em branco. Na segunda tentativa, com 11 votos a favor e 10 em branco, ela finalmente foi confirmada no cargo.
Após a eleição, Erika Hilton mandou um recado claro. Disse que seu foco será trabalhar para criar políticas que garantam a dignidade e a vida das mulheres. Ela citou a luta contra o feminicídio, a cultura do estupro e a violência doméstica como suas prioridades.
"Fui eleita a primeira travesti, mulher trans, presidenta da Comissão das Mulheres, criando um marco histórico", comemorou a deputada. Ela prometeu trabalhar por todas as mulheres, sejam elas cis, trans, mães ou meninas.
A eleição foi celebrada por outras deputadas, que viram o resultado como uma vitória da diversidade no Congresso Nacional. O mandato de Erika Hilton na presidência da comissão vai até o final de janeiro do próximo ano.







