Grandes nomes da tecnologia, como os líderes da Apple, OpenAI e Anthropic, levantaram suas vozes para criticar as recentes operações da agência de imigração dos EUA, o ICE (Immigration and Customs Enforcement). A indignação veio à tona depois que agentes federais mataram o enfermeiro Alex Pretti e outro manifestante durante ações em Minneapolis, no estado de Minnesota, nos EUA.
Essa postura firme dos executivos não é por acaso. Ela acontece em meio a uma forte pressão interna de seus próprios funcionários. Esses trabalhadores estão pedindo duas coisas principais: o fim dos contratos de tecnologia que suas empresas mantêm com o ICE e que seus chefes usem sua influência política para retirar os agentes federais de áreas residenciais.
Líderes de tecnologia entre a ética e os negócios
A preocupação é real: muitos temem que as ferramentas e tecnologias que eles ajudam a criar possam ser usadas para promover a violência. Essa discussão já causou divisões significativas dentro de empresas gigantes como Palantir e Google, onde os times questionam o apoio do setor ao policiamento de imigração.
Os CEOs Sam Altman (OpenAI, empresa por trás do famoso ChatGPT), Tim Cook (Apple) e Dario Amodei (Anthropic, criadora do Claude) não ficaram calados diante dos acontecimentos. Embora suas empresas tenham crescido também durante o governo de Donald Trump, agora eles precisam responder às demandas éticas de suas equipes.
PublicidadeSam Altman, da OpenAI, deixou claro em uma mensagem interna que a agência “está indo longe demais”. Ele argumentou que é preciso separar a deportação de criminosos das ações mais recentes, embora, segundo o New York Times, tenha elogiado Donald Trump como um “líder muito forte”.
Já Tim Cook, da Apple, enviou um comunicado pedindo calma à sua equipe e revelou que conversou pessoalmente com o então presidente para tentar diminuir a tensão. Cook chegou a ser criticado por participar de um evento na Casa Branca com a primeira-dama Melania Trump na mesma noite de um dos tiroteios em Minneapolis.
Dario Amodei, da Anthropic, fez questão de ressaltar que sua empresa não possui contratos com o ICE. Ele usou suas redes sociais para descrever as mortes como um “horror” e defendeu que os valores democráticos precisam ser protegidos dentro do país.
Reação do governo Trump e o futuro da relação tech-ICE
Em resposta a toda essa pressão, o governo Trump anunciou uma mudança importante no comando das operações em Minnesota. O presidente enviou Tom Homan, conhecido como o “czar da fronteira”, para assumir o controle no lugar do comandante anterior. Essa decisão veio depois que mais de 60 CEOs de grandes empresas assinaram um pedido formal por uma trégua e após o grupo de funcionários ICEout.tech reunir centenas de nomes de empresas como Meta e Amazon em um movimento contra a agência.
A situação também gerou debates entre investidores. Enquanto alguns, como Keith Rabois, defenderam as ações policiais, outros, como Vinod Khosla, fundador da Khosla Ventures, posicionaram-se contra. Agora, o mercado e os funcionários aguardam para ver se os CEOs de tecnologia realmente cancelarão contratos com o ICE ou se essas críticas foram apenas declarações públicas.







