O coração do Carnaval de Salvador, na Bahia, voltou a pulsar com força no circuito Osmar (Campo Grande). O secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, celebrou o sucesso da estratégia do governo estadual para revitalizar um dos mais tradicionais trajetos da folia baiana, que, segundo ele, enfrentava um processo preocupante de esvaziamento.
Em uma entrevista concedida ao programa Bahia Notícias no Ar, transmitido pela rádio Antena 1, Monteiro explicou que a situação alarmante do circuito Osmar foi identificada logo no início da atual gestão, no primeiro Carnaval depois da pandemia. Naquela época, ficou claro que era fundamental agir para que o Campo Grande recuperasse seu papel de destaque na maior festa popular do planeta.
O Compromisso de Não Deixar o Circuito Morrer
O secretário detalhou os desafios que o circuito enfrentava. "Desde 2023, o Governo do Estado da Bahia assumiu um compromisso, no início da nossa gestão, de não deixar o circuito do Campo Grande morrer", afirmou Monteiro. Ele pontuou que o Campo Grande vinha sofrendo com uma série de problemas, incluindo preconceito, a falta de um olhar comercial adequado e até mesmo uma certa segregação em relação aos blocos afro e à rica identidade cultural da Bahia.
"Havia um movimento muito nítido de esvaziamento do circuito, por uma série de questões, questões comerciais, questões de preconceito e uma questão também de uma certa segregação com os blocos afro, com a nossa identidade cultural e nós assumimos, no nosso primeiro Carnaval, em 2023, o debate e a necessidade e a nossa atitude de levar grandes atrações para o Campo Grande, como uma forma de preservação."
Desde então, o governo tem se empenhado em trazer grandes nomes da música para o circuito Osmar, garantindo que o público tivesse motivos de sobra para escolher o centro da cidade como palco da sua folia. Essa iniciativa não apenas valoriza a tradição, mas também assegura que a diversidade cultural do Carnaval seja celebrada em sua plenitude.
Uma Vitória para a Tradição e a Governança
De acordo com Bruno Monteiro, os resultados dessa aposta são inegáveis. A partir de 2023, as pessoas passaram a buscar o circuito Osmar por genuíno interesse nas atrações, sem qualquer tipo de pressão comercial. O circuito tradicional voltou a ser protagonista, recebendo grandes shows e arrastando multidões.
Ele destacou um dado revelador: "O circuito Osmar, tradicional, voltou a ter um protagonismo, voltou a ter as grandes atrações. No ano passado, teve dia, inclusive, que o Campo Grande registrou um público maior do que na Barra, isso também é uma forma de a gente ter uma governabilidade, uma governança sobre esse Carnaval." Essa inversão mostra o sucesso da estratégia governamental em resgatar a essência da festa.
"Eu vejo hoje, essa reabilitação do circuito Osmar, do circuito no Campo Grande, como uma grande vitória para a nossa tradição."
Além das grandes atrações, o Governo da Bahia tem um forte compromisso com o fortalecimento das manifestações culturais afro-brasileiras. Por meio do programa Ouro Negro, que ratifica essa dedicação, o investimento neste ano alcançou um valor recorde de R$ 17 milhões. Esses recursos foram direcionados para apoiar blocos afro, afoxés, grupos de samba, reggae e blocos de índio, garantindo a realização de seus desfiles e a participação em festas populares.
Olhar para o Futuro: Carnaval de 2026
Olhando para a frente, o secretário já projeta um Carnaval ainda mais vibrante. Para a festa de 2026, o governo planeja levar para as ruas de Salvador mais de 180 atrações "sem corda", reforçando a ideia de um Carnaval democrático e acessível a todos. A prioridade na movimentação do centro da cidade continua sendo a chave para manter a chama do circuito Osmar acesa e garantir a vitalidade da folia baiana.







