A saída do senador Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado abriu uma disputa nos bastidores de Brasília. A definição sobre o sucessor caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o anúncio do afastamento de Wagner intensificou as articulações políticas, colocando os nomes de Camilo Santana (PT-CE) e Teresa Leitão (PT-PE) entre os principais cotados para assumir o posto.
Wagner decidiu deixar o cargo após ter sido alvo de operação da Polícia Federal, sob suspeita de ter recebido pagamentos ligados ao Banco Master. A ação, chamada de Operação Compliance Zero, resultou na apreensão de US$ 55 mil em espécie, cerca de R$ 285 mil, e também de 33,5 mil euros, aproximadamente R$ 199 mil.
A decisão foi tomada após o parlamentar se reunir com o presidente Lula, e Wagner afirmou em nota que o afastamento ocorreu em "comum acordo" e que o encontro foi uma "conversa entre amigos". Mesmo assim, o parlamentar afirmou que não quer atrapalhar a reeleição do presidente. Lula esperava que Wagner entregasse o cargo sem precisar demiti-lo, mas o senador resistia por acreditar que a saída equivaleria a uma confissão de culpa.
Teresa Leitão (PT-PE), de 74 anos, ganhou força como possível substituta. Ela ocupa atualmente a liderança da bancada do PT no Senado e tem longa trajetória no partido. Um ponto favorável é o fato de ter sido eleita em 2022, com mandato até 2031, o que significa que não precisará disputar a reeleição neste ano.
A senadora é, até o momento, o nome mais cotado para assumir o posto. Há, porém, um impasse: caso mude de cargo, o PT precisará indicar outra pessoa para a vaga de líder da bancada. Ao Poder360, Leitão afirmou que "tudo só pode ser resolvido depois que o presidente se posicionar".
Camilo Santana (PT-CE), de 58 anos, também aparece com força entre os cotados. Está no meio do mandato e, em tese, não precisaria direcionar esforços a uma campanha de reeleição neste ano. O entrave, porém, é o cálculo político no Ceará: ele deixou o Ministério da Educação para atuar na campanha de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT), que enfrenta disputa contra Ciro Gomes.
Otto Alencar (PSD-BA), de 78 anos, chegou a ser citado nas conversas sobre a sucessão. Aliados, no entanto, avaliam que ele deve permanecer no comando da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A permanência de Otto na CCJ é considerada importante para o governo por causa da tramitação de pautas sensíveis no Senado, e seu nome aparece mais como peça relevante da articulação do que como favorito à liderança.
Nos bastidores do governo, cresce a avaliação de que a permanência de Wagner na função poderia ampliar o desgaste político para o Palácio do Planalto em um momento decisivo para a tramitação de pautas estratégicas e para a preparação das eleições. Interlocutores governistas argumentam que a manutenção do senador baiano na liderança poderia fornecer munição política à oposição.
A avaliação no PT é que o presidente continuará apoiando a candidatura do senador à reeleição na Bahia, estado considerado estratégico para o projeto eleitoral petista e onde a manutenção da aliança é vista como prioridade para a disputa de 2026. A repercussão negativa da operação da PF consolidou um desgaste que Jaques já vinha sofrendo desde a derrota de Jorge Messias para uma vaga no STF. O congressista foi o principal responsabilizado pela rejeição do Senado ao nome indicado pelo Planalto, em especial por não ter alertado Lula sobre o risco de derrota.







