Karielle Lima Marques de Souza, de 23 anos, e seu filho Nicolas Marques Sodré, de seis anos, foram mortos a facadas no último domingo (5), no município de Ibirapitanga, no sul da Bahia. O autor do crime, Rolemberg Santos de Pina, de 32 anos, era vizinho da vítima e foi encontrado morto na zona rural do município de Maraú durante buscas realizadas pela polícia.
Segundo informações policiais, a perseguição de Rolemberg contra Karielle teve início quando ela ainda tinha 13 anos. De acordo com os relatos, ele mantinha uma obsessão antiga pela jovem e tentava se aproximar dela de forma insistente. Mesmo diante das recusas, o homem não cessava as investidas, que teriam se tornado mais frequentes no período anterior ao crime.
A situação levou Karielle a considerar o registro de um boletim de ocorrência, mas a queixa nunca chegou a ser formalizada. A jovem vivia uma relação com outra pessoa e evitava qualquer tipo de contato com o suspeito. A perseguição já era de conhecimento da família, que temia um desfecho violento.
O ataque ocorreu no domingo, por volta das 12h30. Karielle estava saindo de casa quando foi surpreendida por Rolemberg, que estaria escondido atrás de um carro. A suspeita das autoridades é de que ele tenha aguardado a saída do companheiro da vítima para agir, o que reforça a hipótese de premeditação. A criança foi esfaqueada antes da mãe.
A Polícia Militar informou que equipes da 61ª CIPM foram acionadas após as vítimas darem entrada em uma unidade de saúde com lesões provocadas por arma branca. O crime ocorreu na Rua Professora Veruska Andrade Souza, no bairro Novo. O caso está sendo apurado pela Polícia Civil da Bahia, por meio da Delegacia Territorial de Ibirapitanga, que já expediu guias para perícia e remoção dos corpos.
Trancista, capoeirista e representante da cultura local
Karielle foi a primeira moradora de Ibirapitanga a participar do concurso Beleza Negra do Ilê Aiyê, que elege a Deusa do Ébano, símbolo de valorização da cultura afro-brasileira. Ela representou o município na edição de 2025 do concurso, realizado na Senzala do Barro Preto, no bairro do Curuzu, em Salvador. Nas redes sociais, a participação de Karielle foi celebrada tanto pela gestão municipal quanto por moradores da cidade. Na ocasião, ela destacou o orgulho de levar o nome do município ao evento.
"É uma honra imensa poder carregar o nome da minha cidade neste evento tão relevante à cultura negra, com toda nossa ancestralidade. Estou muito feliz e agradecida pelo apoio da comunidade e da gestão pública municipal. Quero mostrar a força e a beleza da mulher negra que vêm de Ibirapitanga", declarou Karielle ao portal Tabuleiro na época.
Além da participação no concurso, Karielle tinha uma trajetória marcada pela resistência. Mãe solo, ela também atuava como capoeirista e trancista. A Prefeitura Municipal de Ibirapitanga publicou uma nota de pesar nas redes sociais após a morte de Karielle e Nicolas, destacando o caráter e o protagonismo da jovem.
"Karielle foi uma jovem alegre e talentosa, que por diversas vezes representou com orgulho o nosso município em apresentações culturais, deixando sua marca e contribuindo com a valorização da nossa cultura. Neste momento de dor, nos solidarizamos com seus familiares e amigos, rogando a Deus que conceda força e conforto a todos", escreveu a gestão municipal.








