A violência contra as forças de segurança na Bahia atingiu a marca de 16 agentes baleados somente nos primeiros meses de 2026, em Salvador e na Região Metropolitana. O dado, levantado pelo Instituto Fogo Cruzado, acende um alerta sobre a segurança de quem trabalha no combate ao crime.
Um dos episódios mais graves ocorreu recentemente dentro do Centro Administrativo da Bahia (CAB). Uma soldado da Polícia Militar abriu fogo contra uma major após ser alvo de um processo disciplinar. Durante a confusão, um tenente-coronel interveio e também atirou para conter a agressora.
A major Caroline Ferreira Souza foi atingida no rosto e no peito, enquanto a soldado Ana Beatriz de Jesus também ficou ferida na ação. A defesa da soldado alega que ela sofria perseguição no ambiente de trabalho, o que teria motivado o surto.
Especialistas apontam que o problema, chamado de vitimização policial, vai além dos confrontos nas ruas. Fatores como pressão hierárquica, baixos salários e sobrecarga de trabalho estão adoecendo os profissionais e gerando tragédias internas.
Para o pesquisador Cleiton Lima, do Instituto de Ensino e Pesquisa da PMBA, a tropa está no limite. Ele destaca que a sociedade cobra respostas rápidas contra o crime, o que aumenta o estresse de quem está na linha de frente do policiamento ostensivo.
Enquanto o governo destaca investimentos de R$ 1,2 bilhão em equipamentos como viaturas blindadas e coletes, a Polícia Militar ainda não detalhou quais medidas estão sendo tomadas especificamente para cuidar da saúde mental dos seus agentes.







