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Polícia

Turista gaúcha presa por injúria racial em Salvador exige delegado branco

Turista gaúcha é presa em Salvador, na Bahia, acusada de injúria racial contra comerciante. Ela teria cuspido na vítima e exigido um delegado branco na delegacia.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
23 de janeiro, 2026 · 12:57 2 min de leitura
Fotos: Reprodução / Redes sociais
Fotos: Reprodução / Redes sociais

Uma turista vinda do Rio Grande do Sul, Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, foi presa na última quarta-feira (21) em Salvador, na Bahia. Ela é acusada de cometer injúria racial contra uma comerciante no Pelourinho, um dos locais mais movimentados do Centro Histórico da capital baiana. Segundo as acusações, Gisele teria cuspido na vítima e jogado ofensas, repetindo em tom de superioridade que era “branca”.

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O caso ganhou ainda mais repercussão porque, mesmo depois de presa, Gisele manteve um comportamento de preconceito. Na Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin), para onde foi levada, ela exigiu ser atendida somente por um delegado de pele branca.

O relato da comerciante e a confusão

A vítima, que se identificou apenas como Hanna, contou em entrevista à TV Bahia os detalhes do que aconteceu. Ela é comerciante na Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba, no Pelourinho, e o encontro com a turista aconteceu durante um evento gratuito.

"Eu fiz uma venda e retirei o balde de um cliente. No momento em que passei, ela falou: 'Vai mais um lixo'. Eu questionei e ela reafirmou que eu era um lixo e deu uma 'escarrada' em mim. Ela correu e eu a perdi de vista. Depois, teve problemas com outras pessoas, e o segurança tentou retirá-la do evento."

Hanna também fez uma crítica sobre a forma como o caso foi tratado pelos seguranças do evento e pela polícia. Ela disse que, se dependesse da equipe de segurança, Gisele nem teria sido levada à delegacia. Além disso, a comerciante questionou a sugestão de um agente policial de que as duas fossem na mesma viatura.

"Mas eu disse que eu não iria porque, se fosse o contrário, eu estaria no porta-malas e ainda sairia algemada. Eles tiveram toda a paciência do mundo e ela saiu no tempo dela. Ela ficou se coçando e dizendo que aquele lugar não era para ela."
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De acordo com o que foi apurado, não havia nenhuma interação anterior entre Gisele e Hanna antes do incidente.

Audiência de custódia e implicações legais

A turista está detida na Decrin, onde o caso foi registrado, e irá participar de uma audiência de custódia nesta sexta-feira (23). Nesse encontro, um juiz vai analisar a legalidade da prisão e decidir se ela permanecerá detida temporariamente.

É importante saber que, atualmente, o crime de injúria racial é tratado como racismo, o que o torna inafiançável e imprescritível. Isso significa que não cabe fiança e não tem prazo para o crime ser julgado. A pena para esses casos varia de dois a cinco anos de prisão.

A Polícia Civil informou que não conseguiu entrar em contato com a defesa de Gisele Madrid Spencer Cesar.

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