O Cemitério Antigo de Cabrobó, município pernambucano às margens do Rio São Francisco, foi mais uma vez invadido por criminosos. Segundo relatos de populares que visitaram o local nos últimos dias, diversos túmulos sofreram furtos e atos de depredação entre a quinta-feira (9) e a sexta-feira (10) de julho.
De acordo com informações divulgadas pelo Blog do Didi Galvão, foram levadas principalmente pedras de mármore utilizadas na ornamentação dos jazigos, além de objetos metálicos que compunham a estrutura e a decoração de algumas sepulturas. A situação provocou indignação entre familiares de pessoas enterradas no local.
O episódio não é isolado. Em maio deste ano, um internauta havia denunciado o furto da fiação elétrica dos postes de iluminação no Cemitério Novo de Cabrobó, ação que deixou o local completamente às escuras e aumentou a sensação de insegurança, especialmente durante a noite. O padrão se repete: criminosos aproveitam a baixa circulação noturna para agir.
Diante da reincidência, a população volta a cobrar do poder público uma resposta concreta. A principal demanda é a instalação de câmeras de monitoramento no Cemitério Antigo, medida que, segundo os moradores, poderia ajudar a identificar os responsáveis e inibir novas ações criminosas.
A Prefeitura de Cabrobó já havia sido acionada antes. Em fevereiro de 2025, a Secretaria de Infraestrutura informou que o servidor responsável pela manutenção do Cemitério Antigo registrou um Boletim de Ocorrência em razão de furtos ocorridos na época, e que a reforma dos dois cemitérios do município estava entre as prioridades do planejamento. Na ocasião, o secretário de Infraestrutura declarou que as obras incluiriam o aumento do muro e a implementação de outros meios para garantir mais segurança, "inibindo as ações dos vândalos, que infelizmente são pessoas envolvidas com drogas". Até agora, porém, os crimes continuam.
O problema não é exclusivo de Cabrobó. Segundo especialistas em direito penal, os cemitérios são alvos frequentes de furtos principalmente por três fatores: a vulnerabilidade estrutural — com pouca vigilância e iluminação precária —, a baixa circulação de pessoas durante grande parte do dia e a presença de objetos com alto valor comercial, especialmente metais como bronze, cobre e alumínio.
Para as famílias, o prejuízo maior não é financeiro, mas emocional. A violação representa mais do que um crime patrimonial: é a ruptura simbólica de um espaço de memória, respeito e conexão com o passado.
Cidades que apostaram em monitoramento eletrônico colheram resultados expressivos. Com a instalação de câmeras e alarmes, os cemitérios municipais de Santos (SP) viram o número de ocorrências e crimes cair mais de 90% na comparação entre os últimos anos. Em João Pessoa, a Prefeitura instalou 104 câmeras de segurança nos cemitérios públicos da capital justamente para combater casos de vandalismo e furto em túmulos e sepulturas.
Em Cabrobó, familiares aguardam uma atitude semelhante. Enquanto a gestão municipal não apresenta uma solução definitiva, os túmulos do Cemitério Antigo continuam expostos à ação de criminosos — e a dor de quem perdeu um ente querido se renova a cada visita ao local.







