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Polícia

Tenente-coronel diz que dormia de porta trancada com medo de Gisele: “Ferveu uma panela de água e jogou no ex-marido”

Preso por morte da esposa PM, tenente-coronel afirma à polícia que dormia com a porta trancada por medo de Gisele e cita suposto ataque a ex-marido.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
26 de março, 2026 · 12:39 3 min de leitura
Imagem: Reprodução/Redes sociais
Imagem: Reprodução/Redes sociais

O tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, Geraldo Leite Rosa Neto, de 56 anos, encontra-se detido sob a suspeita de envolvimento na morte de sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos. O caso ocorreu no dia 18 de fevereiro, no apartamento do casal, localizado no bairro do Brás, na região central da capital paulista. A investigação policial, que inicialmente registrou a ocorrência como morte suspeita, colhe atualmente depoimentos de testemunhas e do próprio acusado para esclarecer as circunstâncias do disparo na cabeça que vitimou a policial.

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No momento do registro da ocorrência, Neto estava na residência e declarou às autoridades que a esposa havia cometido suicídio. Contudo, indícios de alteração na cena e o comportamento do oficial, que teria tomado banho contrariando orientações prévias dos investigadores, motivaram a condução da apuração para a hipótese de homicídio. Atualmente, o militar aguarda decisão judicial sobre a manutenção de sua prisão preventiva e permanece à disposição da quinta vara do Tribunal do Júri. A defesa do tenente-coronel questiona a legalidade da ordem de prisão, argumentando que a Justiça Militar não possui competência para julgar crimes comuns. Os advogados também afirmam haver uma exposição indevida da vida privada do cliente por meio de informações descontextualizadas.

Em depoimento prestado à Polícia Civil e durante a audiência de custódia, que teve caráter formal para verificação da regularidade da detenção, Neto apresentou sua versão dos fatos. O oficial relatou um histórico de agressões verbais e físicas que teria sofrido por parte de Gisele, afirmando que costumava dormir com a porta do quarto trancada por receio. Segundo ele, a esposa apresentava crises noturnas que causavam temor inclusive em sua filha. O tenente-coronel também mencionou supostos episódios anteriores de violência envolvendo a soldado, como ter jogado água fervente em um ex-marido enquanto ele dormia e colidido um veículo contra um poste de forma intencional.

Em paralelo às declarações do suspeito, o processo criminal inclui depoimentos de policiais que trabalhavam diretamente com Gisele no Departamento de Suporte Administrativo, na sede do Comando-Geral da Polícia Militar. Os relatos apontam para um histórico de comportamento ciumento por parte de Neto, além de agressões físicas ocorridas nas dependências da corporação antes do casamento dos dois, oficializado em junho de 2024. Testemunhas descreveram um episódio em que o oficial teria encurralado a soldado em um corredor de acesso à reserva de armas, pressionando-a contra a parede ou segurando-a pelo pescoço. A agressão teria sido registrada por câmeras de segurança e foi corroborada pelo ex-marido de Gisele, que relatou à Polícia Civil ter ouvido da própria vítima sobre a ocasião em que foi chacoalhada no trabalho.

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Os colegas de farda também relataram visitas constantes e sem aviso prévio de Neto ao setor em que a esposa atuava. Segundo os depoimentos, ele utilizava sua patente, superior à de todos no andar, para observar as conversas dos funcionários de forma despercebida. Um dos casos citados envolve uma crise de ciúmes desencadeada após uma sargento mencionar que Gisele havia recebido um elogio sobre sua aparência. O tenente-coronel teria questionado insistentemente sobre a autoria do comentário e seguido a sargento, precisando ser contido por Gisele e outros policiais. Após esse evento, a soldado teria pedido que o marido deixasse de frequentar o prédio, pedido que foi parcialmente atendido, já que ele continuou indo ao edifício, mas deixou de entrar na sala do departamento.

A ciência das instâncias superiores sobre o comportamento de Neto também é objeto de apuração no inquérito. Um dos depoimentos de policiais sugere que um comandante-geral da PM chegou a conversar com a soldado após uma discussão agressiva do casal, ocasião em que a entrada do tenente-coronel no quartel teria sido proibida. No entanto, não há registros na ficha funcional do oficial sobre investigações internas por esse motivo. Os comandantes que atuaram no período apontado pelas testemunhas, os coronéis Ronaldo Miguel Vieira e Cássio Araújo de Freitas, negaram ter conhecimento das agressões ou afirmaram não se recordar da convivência com o casal, ressaltando que teriam aberto inquérito caso soubessem dos fatos. A Polícia Militar declarou oficialmente que todas as denúncias de assédio envolvendo Neto que chegaram à Corregedoria foram apuradas e que um procedimento sobre o caso segue em andamento.

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