Um homem de 29 anos foi preso nesta quarta-feira (27) em Salvador, suspeito de ter assassinado a ex-companheira Iana Silva Santos, de 25 anos, com golpes de faca dentro da própria casa dela. O mandado de prisão preventiva foi cumprido por equipes da 3ª Delegacia de Homicídios (DH/BTS), do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil da Bahia.
O crime aconteceu na manhã do dia 21 de maio, no bairro de Alto de Coutos, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. Segundo informações da TV Bahia apuradas por portais locais, o suspeito invadiu o imóvel pelo telhado e atacou Iana por volta das 6h. Ela chegou a ser socorrida para o Hospital do Subúrbio, mas não resistiu aos ferimentos.
O que torna o caso ainda mais grave é o histórico que o antecede. O ex-companheiro chegou a ser preso em fevereiro deste ano por agressão, mas passou a responder ao processo em liberdade após deixar a prisão no início de maio. Jonatas foi condenado pelas agressões a dois anos de reclusão em regime aberto. A execução da pena, no entanto, foi suspensa pela Justiça e substituída pela prestação de serviços à comunidade. A decisão é do dia 7 de maio, cerca de 13 dias antes da morte de Iana.
Contra ele também existia uma medida protetiva em favor da vítima. Mesmo assim, o suspeito invadiu a residência da jovem e cometeu o crime. A família afirma que a vítima já havia denunciado o ex-companheiro anteriormente por episódios de violência doméstica.
Identificada como Iana Silva Santos, a jovem trabalhava como mecânica em uma empresa de ônibus da capital baiana. Ela tinha 25 anos e era descrita por amigos e familiares como uma pessoa dedicada e trabalhadora. Após o crime, a irmã de Iana lamentou publicamente a morte nas redes sociais. "Choramos a sua partida e a dor da impunidade, que tem nome e cara", escreveu.
O caso é investigado como feminicídio pelo DHPP. O suspeito permanece à disposição da Justiça após a prisão preventiva cumprida nesta quarta-feira.
O episódio ocorre em um contexto nacional e estadual de alta preocupação com o feminicídio. O Brasil registrou em 2025 o maior número de feminicídios desde que o crime passou a ser tipificado no país. Foram 1.568 mulheres assassinadas por razões de gênero, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. 8 em cada 10 casos de feminicídio no país são cometidos por parceiros ou ex-companheiros.
Na Bahia, em 2025 foram registrados 102 feminicídios, uma redução de 7,3% em relação ao ano anterior, quando foram registrados 110 casos. O parceiro íntimo da mulher foi o autor em nove de cada dez feminicídios, e 85% dos casos ocorreram dentro do domicílio. O caso de Iana segue esse padrão com precisão cruel.
Vítimas de violência doméstica ou pessoas que conhecem alguém em situação de risco podem acionar a Central de Atendimento à Mulher pelo número 180. O serviço funciona 24 horas por dia, é gratuito e confidencial.







