A delegada de Polícia Civil Luana Tamiozzo Medeiros revelou detalhes de uma investigação conduzida em 2021 sobre Amanda Maria Souza de Oliveira, hoje com 38 anos, mulher que se apresentava como uma adolescente de 11 ou 12 anos chamada Gabrielly da Silva Ferreira. O caso foi apurado pela 2ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul, cinco anos antes de Amanda ganhar repercussão nacional ao ser presa em Santa Catarina por suspeita de estelionato.
Segundo a delegada, a investigação começou depois que a família que havia acolhido a suposta menina relatou comportamentos agressivos. "Eles vieram falar comigo porque a então menina estava tendo comportamentos estranhos, nervosos. Saíam agulhas, pregos de dentro dela", afirmou Luana. A residência onde Amanda estava abrigada tinha outra criança morando no local, e a agressividade demonstrada por ciúmes foi um dos fatores que levantou suspeitas.
Ao ver Amanda pela primeira vez, a delegada já desconfiou da idade informada. "Quando eles vieram me trazer, eu pensei: 'Isso não é uma menina, é uma mulher'. Desconfiei de cara e vi que não era, era uma mulher", contou.
Diante das dúvidas sobre a identidade, a polícia e o Ministério Público pediram a prisão preventiva. Amanda estava internada em um hospital na época, e a prisão só ocorreu após a alta médica, exigindo cuidados especiais por causa do alto nível de ferro em seu organismo. "A prisão dela foi a coisa mais louca do mundo", relembrou a delegada.
A busca por identificar Amanda levou a delegada a pesquisar casos semelhantes na internet, o que resultou na descoberta de que a mulher já se passava por criança havia anos em diferentes estados, viajando de carona com caminhoneiros. Amanda ficou seis meses presa por estelionato até ter a prisão relaxada pela Justiça.
Em depoimento, Amanda afirmou que o motivo de assumir identidades falsas era o desejo de ter uma família, negando intenção de causar mal a quem a acolhia. O processo seguiu na Justiça gaúcha, mas estava suspenso por falta de localização da ré, até que ela foi novamente presa, agora em Santa Catarina, sob a mesma suspeita.







